Daiana Gabriella e a mãe Marie Esther | Foto Janete Elenice Jorge/Divulgação
Daiana Gabriella e a mãe Marie Esther | Foto Janete Elenice Jorge/Divulgação

Um ensaio fotográfico com as famílias e a oportunidade de mostrar para toda a comunidade escolar que ser negro, negra é ser lindo. Essa é a proposta do projeto “Beleza negra na escola: promovendo a diversidade”, desenvolvido no estabelecimento de ensino municipal de Florianópolis Osvaldo Galupo, situado no Morro do Horácio.

No mês da Consciência Negra, o projeto foi pensado e executado pela professora de Espanhol e de Educomunicação, Janete Elenice Jorge, e pela bibliotecária Sandra Regina Fortes, com a colaboração da mestranda em educação Gieri Toledo Alves e da maquiadora Isadora Carlos e Souza.

As colegas José Nelta Sillomé e e Cassiane Santos Araújo| Foto Janete Elenice Jorge/Divulgação

“Devemos passar a mensagem aos nossos pequenos pequenas que os negros são resistência e estão a cada dia construindo o futuro e reescrevendo a história”, diz Janete Elenice.

Papel da Escola

Conforme a professora, a escola tem o papel de promover a diversidade étnico-cultural. Mostrar que não existe uma beleza única, que a beleza está na diversidade.

Frisa ela que: “cada raça/etnia tem sua beleza, sua própria cultura, seu jeito de ser e de viver e que precisam ser respeitados. É preciso desconstruir a ideia estereotipada do discurso de igualdade e buscar a equidade para que realmente haja respeito pelas diferentes formas de ser e estar no mundo”.

As irmãs Ana Luisa, Laura e Ana Clara | Foto Janete Elenice Jorge/Divulgação

A bibliotecária afrodescendente Sandra Regina Fortes ressalta que geralmente no sistema escolar, pais e mães de estudantes negros são chamados na escola apenas para tratar de indisciplina ou baixo rendimento de seus filhos e filhas.

“Sabemos que os ‘rótulos’ que determinam nossas crianças são ilegítimos, resultado do fracasso do sistema que não respeita a cultura e os corpos negros. Porém, o povo negro é forte, são descendentes de reis e rainhas, guerreiros e guerreiras, tem a cor da resistência”, reforça.

Breno Lima dos Santos com a mãe Genilda dos Santos| Foto Janete Elenice Jorge/Divulgação

Sandra Regina lembra que: “nossos antepassados negros foram seqüestrados da África e trazidos de forma desumana para as Américas. Por séculos, sofreram maus tratos e com a força de seus trabalhos construíram a economia, a cultura e participaram diretamente na constituição de toda a sociedade brasileira, como também de outros países das Américas. Muitos de nós crescemos ouvindo falar que a raça negra era feia”.

Cabelo duro

Neyka Anonie com o pai Edy Antonie | Foto Janete Elenice Jorge/Divulgação

A professora Janete relata que ser negro era ser inferior, que os cabelos negros eram ruins, "cabelo duro". “Tanto que era comum o alisamento dos cabelos das meninas desde muito pequenas e meninos eram mantidos sempre de cabeças raspadas”.

“Também crescemos ouvindo a sociedade determinar que o nariz, o lábio, todo o corpo negro era feio e que era preciso mudar”. Assinala Sandra Regina. “Ainda nos dias atuais, os meios midiáticos impõem uma beleza padrão que evidentemente não é a negra, sejam nos brinquedos, livros, revistas, televisão, cinema”.

Daiana Gabriella Marius | Foto Janete Elenice Jorge/Divulgação

Pluralidade na rede de ensino

O secretário de Educação, Maurício Fernandes, observa que projeto como esse intensifica a pluralidade que deve ser uma rede de ensino. “Parabenizo as profissionais por desenvolverem tal projeto que valoriza a beleza natural da raça negra”.

Derick Levi com a mãe Luzia de Jesus | Foto Janete Elenice Jorge/Divulgação

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