A timidez ao falar voa para longe quando os primeiros passos começam a ser dados. Se na conversa, Vitória Almuas, 10 anos, é contida, na dança ela extrapola e mostra quem realmente é. Aos dez anos de idade, a menina é uma das seis bailarinas que estão se preparando para participar da mostra “A noite é uma criança”, em Chapecó. Dançando desde os três anos e com bagagem adquirida ao se apresentar em outras cidades, a pequena considera importante esse tipo de experiência. “Acho legal porque com isso podemos conhecer outros grupos e modalidades de dança”, conta. O nervosismo até surge, mas como trabalham muito bem as coreografias com o professor, e também tio de Vitória, Paulo Almuas, tudo dá certo. “As vezes ficamos nervosas e até acontece de esquecer a coreografia, mas quando entro no palco tudo fica mais fácil”, revela a jovem bailarina.
Vitória Almuas, de apenas dez anos, entende a importância de participar de festivais e mostras para evoluir na dança | Foto Eduardo Montecino/OCP
Essa confiança no resultado do que será apresentado no palco e no próprio talento é algo defendido desde os primeiros passos na dança pelo professor e coreógrafo da Ponto Ser. Ideal esse que é enfatizado com a participação em festivais e mostras fora da cidade. “Mostramos para elas que podem chegar em algum lugar na dança assim como eu cheguei, comecei em um projeto de escola. Temos que oportunizar, mostrar que esses eventos existem e levar elas para participarem”, enfatiza Almuas. Para a sócia da escola de dança, Celenir Schmitz, essas iniciativas motivam ainda mais os bailarinos. “O acontecer faz a criança realmente acreditar que ela é capaz, que ela vai conseguir”, afirma. Na mostra, as meninas estreiam a coreografia de dança contemporânea “O que quiser que seja” e o jazz “Opostos entre dois lados”. “A primeira é um trabalho mais técnico, já a segunda é mais plástica e poética”, esclarece. O professor explica ainda que a escola participa desde a primeira edição da mostra, que ocorre há 16 anos.
Celenir Schmitz, Paulo Almuas e Vitória Almuas | Foto Eduardo Montecino/OCP
A iniciativa surgiu em Florianópolis com o objetivo de dar visibilidade aos trabalhos locais, promover a troca entre bailarinos e estimular o desenvolvimento da dança e cultura, possibilitando a vivência artística e a participação no processo criativo às crianças. Hoje ela ocorre também em outras cidades como Joinville e Chapecó, onde o grupo se apresenta na próxima segunda-feira (21), e em outros estados. A ida para o oeste catarinense se deu através da parceria com uma empresa de Xanxerê. “O mais legal é que lá (na mostra) elas têm um tratamento digno de profissional e a vivência artística. Sem contar que essa é a primeira vez que elas vão de van, com hotel e tudo mais”, conta. As bailarinas, junto a outros oito grupos da escola, se apresentam no mesmo evento que ocorre na capital no dia 28, e no Jaraguá em Dança nos dias 19 e 22.