Neste dia 31 de março, Johann Friedrich Theodor Müller, o naturalista conhecido como Fritz Müller, completaria 199 anos. A contagem regressiva para o bicentenário do pesquisador, celebrado em 2022, será marcada por um ciclo de comemorações artísticas, culturais, científicas e educacionais ao longo dos próximos 12 meses.

Fritz Müller deu importante contribuição à comprovação da teoria da evolução por seleção natural das espécies, de Charles Darwin. Apesar de ser considerado um dos principais cientistas da história do Brasil, ele ainda é pouco conhecido em Santa Catarina e no país, o que levou diversas instituições públicas e privadas a se reunirem para organizar as comemorações dos 200 anos de nascimento, em prol da divulgação do seu legado, por meio do projeto Fritz Müller/Charles Darwin – 200 anos.

O presidente do Grupo Desterro Fritz Müller/Charles Darwin – 200 anos, Marcondes Marchetti, considera o naturalista homenageado um personagem extraordinário na história do Brasil e de Santa Catarina, reconhecido no mundo acadêmico e no mundo científico.

 

“Ele recebeu títulos de doutor honoris causa, em vida, de duas universidades alemãs no século 19. Tem biógrafos que escreveram sobre a vida dele fora do Brasil e no Brasil. Em Blumenau, onde ele está sepultado, onde ele viveu grande parte da vida brasileira dele, ele é bastante conhecido e reconhecido. Mas verdadeiramente, ele é um ilustre desconhecido da maioria”, afirma.

 

Depois de estudar ciências naturais, filosofia e medicina, Fritz Müller emigrou da Alemanha para Santa Catarina em 1852, aos 30 anos. Inicialmente, estabeleceu-se na recém-fundada Colônia Blumenau e, quatro anos depois, mudou-se para Desterro (Florianópolis), onde atuou durante 11 anos como professor do Liceu Provincial.

Müller e Darwin

O coordenador científico do Grupo Desterro Fritz Müller/Charles Darwin – 200 anos, Mário Steindel, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), conta que Fritz Müller recebeu, de um amigo da Alemanha, o livro “A origem das espécies”, de Charles Darwin, publicado em alemão em 1861, e ficou maravilhado com as ideias.

Em suas observações, ele já tinha se indagado sobre vários aspectos e aquelas ideias de Darwin fechavam com a inquietude dele, que resolveu fazer uma prova de campo da teoria, no início muito debatida e combatida. “Ele faz um estudo de campo pormenorizado sobre os crustáceos, durante três anos, reúne essas informações e publica um livro chamado 'Für Darwin' (Para Darwin), comprovando a teoria”, relata Steindel. O livro foi publicado em 1864, na Alemanha.

 

“Charles Darwin ficou maravilhado com o detalhamento científico que Fritz Müller coloca naquele livro. Antes, as pessoas faziam uma ciência muito mais observacional. Ele faz uma ciência experimental e usa conhecimentos matemáticos para fazer aferições. É uma obra extremamente interessante. Darwin pediu autorização para fazer a publicação da obra em inglês. Eles firmam uma grande amizade e Fritz Müller se torna talvez um dos principais colaboradores de Darwin”, relata.

 

Fritz Muller foi o naturalista mais citado nas edições seguintes do livro de Darwin. O estudo que ele desenvolveu é considerado extremamente rico para a época, com pouca estrutura e instrumentos precários. “Fritz Müller era, além de tudo, um excelente desenhista, muito preciso na descrição morfológica das imagens”, complementa Mário.

A obra científica de Fritz Müller engloba 266 publicações, com notável pioneirismo no estudo de grupos de vertebrados e plantas da Mata Atlântica.

Bicentenário

Além de dar visibilidade e contribuir para a preservação do legado de Fritz Müller, as entidades que organizam a programação do bicentenário atuam para que a vida e a obra do naturalista passem a constar na grade curricular da rede educacional catarinense.

Marcondes Marchetti diz que a pandemia prejudicou uma programação bastante ampla iniciada há dois anos. “Estavam previstos debates e conferências, preparação de professores da rede estadual de ensino básico e uma grande exposição retrospectiva”, conta.

A necessidade de isolamento social exigiu a adaptação dos eventos para o formato online, com a realização de webnares educacionais para os professores. O plano de continuidade das ações inclui a tradução da obra biográfica, a modernização do Museu Fritz Müller, em Blumenau, e a articulação com entidades alemãs que também cultivam a memória do naturalista. Outros eventos ainda estão sendo desenhados, considerando as limitações da pandemia.

O projeto deu origem ainda ao site fritzmuller200anos.com.br, que disponibiliza amplo acervo de publicações e imagens do pesquisador alemão, que naturalizou-se brasileiro.

*Com informações da Agência AL