Resgatando a história e procurando rever os amigos de 60 anos atrás, as formandas da turma de 1958 do então Colégio Divina Providência farão um encontro para celebrar o Jubileu de Diamante. A celebração será neste sábado (20), no Clube Atlético Baependi, já que a formatura delas foi na antiga sede do clube.

Tudo começou quando Iris Barg Piazera, 74 anos, resolveu procurar suas colegas pelo WhatsApp, em outubro de 2017. Apenas quatro meses depois, 18 das 21 estudantes já estavam no grupo. Em dezembro do ano passado, cinco delas participaram de um encontro, em Barra Velha.

As 21 estudantes | Foto Arquivo Pessoal

No mesmo mês, em Itapema, 11 ex-formandas tiveram a oportunidade de rever seus antigos colegas. Em 2018, ocorreu mais dois encontros.

Um em Jaraguá do Sul, com 14 presentes e há 325 quilômetros, em Gravatal, na casa de uma das três professoras que vão participar da cerimonia no sábado, Therezinha Machado Marchi, a Irmã Alicia.

"Ela é uma pessoa sensacional, que conquistou todos alunos com seu jeito alegre e inteligente", ressalta.

O momento do reencontro da Irmã Alicia com os formandos após 60 anos teve muitos abraços acompanhado de lágrimas. Iris conta que é difícil descrever aquele instante. "É indescritível. Rever pessoas que você tanto ama após mais de meio século é espetacular", frisa.

Terezinha dava aula de latim, português e história. Além dela, outros dois professores vão estar no reencontro: Paulo Moretti, que lecionava francês, e a professora de matemática, Clarice Amaral. "Três pessoas que sempre nos inspiraram", enfatiza a formanda Hilda Schiochet Ronchi, 74 anos.

Foto da formatura na antiga sede do Clube Atlético Baependi, em 8 de dezembro de 1958 | Foto Arquivo Pessoal

Iris conta que toda vez que via o palco do antigo Clube Atlético Baependi, ainda sentia a presença do paraninfo bipo Gregório Varelim proferindo seu discurso há 60 anos atrás. "Sua fala foi seguida de ações e lições que eu carreguei durante toda a vida", relata.

Distância e muitas mudanças

A maioria dos formandos se mudou de cidade e até estado. Tem pessoas de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e algumas cidades de Santa Catarina, como Itajaí, Balneário Camboriú e Joinville.

Flávia Lanznaster, nora da formanda Teresinha Bastos, escreveu uma mensagem que lembra fatos históricos que aconteceu desde 1958.

"O homem pisou na lua, construiu e derrubou o murro de Berlim, inaugurou Brasília, pagou o cruzeiro novo, cruzado, cruzado novo, URV e real. Usou máquina de escrever e o computador, enfrentou fila para uma linha telefônica, inventou o celular e hoje usa o smartphone. Deixou de usar a enciclopédia barça para usar o Google", narra.

Além dos formandos, cerca de 150 pessoas vão participar da cerimônia, entre filhos, netos e amigos que estudaram na mesma época no Divina Providência.

A cerimonia vai acontecer das 10h às 12h, sendo seguida por um almoço e café da tarde. No domingo, o grupo irá se reunir novamente para a uma missa de ação de graças, na Chiesetta Alpina.

Emoção à flor da pele

Morando há mais de 40 anos em Joinville, Hilda Schiochet Ronchi, de 76 anos, está com um expectativa grande para o reencontro de sábado.

Quando Iris fez o primeiro contato, ela foi logo procurar o álbum de fotografias, com momentos que estavam escondidos, mas nunca haviam sumido completamente. "Resgatar do fundo do coração algo que estava adormecido", explica.

Hilda enaltece o trabalho que Iris teve para procurar as pessoas que fizeram parte da sua vida a 60 anos atrás. E suas lembranças da época exaltam a dificuldade que sua família tinha para pagar seus estudos.

As irmãs compreendiam o momento e deixavam ela pagar assim que pudesse. "Meu pai chegou a pagar com um saco de amendoim", relata.

Colégio Divina Providência | Foto Arquivo Pessoal

Das 21 estudantes, três faleceram ao longo dos anos. E duas estão com problemas de saúde e não deverão estar no encontro de sábado. Portanto, 16 formandas estarão participarão da cerimonia.

Hilda conta que parece que o tempo não passou para elas, pois quando se viram nos primeiros encontros se abraçaram como faziam há 60 anos atrás. "Acho que esse reencontro, 60 anos depois, é algo inédito na região", destaca a formanda.

 

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