Agricultores de Guaramirim e Massaranduba tornaram possível descobrir que na Mata Atlântica das áreas de baixada da região Norte de Santa Catarina, região do vale do rio Itapocu, possui uma espécie diferente de sapo. O animal é notável pelo tamanho do corpo, podendo atingir até 25 cm, a maior espécie de sapo das Américas e uma das maiores do mundo.
Trata-se da espécie Rhinella schneideri, que foi identificada pela primeira vez no Paraguai, em 1894, e o nome homenageia o naturalista alemão Gustav Schneider que viveu entre 1834 a 1900. Encontra-se ou é previsto de encontrar na Mata Atlântica (litorânea) do Rio Grande do Sul ao Ceará, no Paraguai, Uruguai, Argentina (na Província de Missiones) e na Floresta Amazônica do Brasil e Bolívia.
Elza Nishimura Woehl com sapo gigante encontrado em Guaramirim
A espécie é rara na região do Vale do Itapocu, porque foram encontrados apenas dois exemplares (fêmeas) nós últimos 15 anos. Um na área rural de Massaranduba, em 2001, encontrado por Paulo Beta, que tinha 14 anos na época, e outro recentemente, no dia 10/08/2016, em Guaramirim, encontrado pelo rizicultor Osnildo Otto na propriedade da família, em frente da RPPN Santuário Rã-bugio.
No entanto, os moradores comentam que antigamente, até 40 anos atrás, estes sapos gigantes eram muito comuns em suas propriedades e depois desapareceram. Não há informações sobre a ocorrência desta espécie de sapo gigante em outras regiões de Santa Catarina. Sabe-se, com certeza, que não ocorre nas regiões frias do Planalto Catarinense.
O Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade comenta que não sabía que esta espécie de sapo gigante ocorria na região ou mesmo no Estado de Santa Catarina. O primeiro sapo gigante chegou ao conhecimento da entidade através da escola, durante uma palestra de Elza Nishimura Woehl, que comentou que um sapo gigante habitava o quintal de um aluno, Paulo Beta.
Sapo encontrado em Massaranduba
Sapo encontrado em Massaranduba
Na época, o instituto achou que era um tamanho anormal do sapo cururu (Rhinella icterica), cujas fêmeas atingem no máximo 14 cm e é bastante comum na zona rural em todo o Sul e Sudeste do Brasil. “Quando a espécie foi encontrada em Guaramirim, o segundo exemplar do mesmo tamanho, suspeitamos que não poderia ser sapo cururu e enviamos as fotos para vários especialistas em sapos gigantes da Amazônia que prontamente fizeram a identificação”, comunicou o Instituto.
Além da coloração e tamanho, o que diferencia o sapo gigante do sapo cururu são as glândulas sobre as pernas traseiras (tíbia), denominadas glândulas paracnemis.
001 sapo-glandulas
Estas glândulas, assim como as glândulas nas laterais perto da cabeça, glândulas parotoides, comum às duas espécies, contém uma substância leitosa que é liberada somente quando um predador morde o sapo nesta parte. Esta secreção é muito amarga e cáustica e faz com que o predador desista imediatamente da investida. O sapo gigante tem a proteção extra desta glândula na perna, que é parte onde o predador costumar morder quando o sapo tenta fugir.
Foto capa: Paulo Beta com sapo gigante encontrado em Massaranduba (SC), em 2001.
Fonte: Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade