Participar ativamente das sessões de um tribunal que julga casos graves  como genocídios, crimes contra a humanidade e crimes de guerra parece um sonho distante para muitas pessoas que têm o Direito como paixão. Porém, uma assessora jurídica de Jaraguá do Sul conquistou este desejo não uma, mas duas vezes!

Em 2016, a jaraguaense Amanda Pimenta participou como estudante da International Criminal Court Moot Court Competition, uma competição internacional que simula os trâmites do Tribunal Penal Internacional.

Neste ano, ela foi convidada para atuar como jurada e terá a tarefa de selecionar os estudantes brasileiros que vão concorrer nas rodadas internacionais.

A competição, que tem objetivo educacional, social e profissional, envolve a apresentação de trabalhos escritos e sustentação oral. Os estudantes atuam como integrantes do processo de um julgamento: a defesa, a procuradoria e representação dos interesses das vítimas.

"Com a competição, os alunos de graduação e pós-graduação em Direito ou Relações Internacionais do mundo todo podem praticar suas habilidades como futuros profissionais da área", garante Amanda. "O desafio também é interessante para trocar experiências, inclusive culturais e sociais", completa.

A jaraguaense foi convidada para ser jurada nas rodadas nacionais brasileiras da edição 2018 da competição. "Esta etapa ocorrerá em Curitiba, em meados de março", conta. "Recebi o caso deste ano e serei responsável por corrigir os memoriais escritos e julgar as sustentações orais", explica Amanda.

Estudantes de 46 países se inscreveram neste ano, sendo que o Brasil é o único país da América do Sul. Afeganistão, Georgia, Gana, Irã, Israel, Birmânia, Suíça e Zâmbia são alguns dos países participantes. Muitas universidades brasileiras se inscreveram, mas apenas duas poderão competir na etapa final que acontece em Haia, na Holanda.

"As duas universidades com as melhores colocações irão competir durante seis dias na Universidade de Leiden, sede do evento", comenta Amanda. "A final da competição é julgada por juízes renomados, do próprio Tribunal Penal Internacional, e é realizada dentro do próprio tribunal", emenda.

Quando participou do evento como estudante, a equipe da jaraguaense conquistou a 29ª colocação, entre 60 universidades. "Foi uma boa posição, levando em consideração que muitos dos estudantes eram do mestrado, tinham a língua inglesa como materna e maior acesso a materiais especializados no assunto", orgulha-se.

A assessora vê como um presente o convite para ser jurada da competição. "Quando participei como estudante tive que abrir mão de muitas coisas, dias de descanso e noites de sono", lembra Amanda. "Fico feliz pelo reconhecimento e pelo voto de confiança da equipe de organização", afirma.

Os vencedores da competição recebem troféus e medalhas pela participação, além do reconhecimento de todo o campo do direito internacional. Uma das gratificações mais celebradas é o prêmio de honra, que em 2016 foi dado para três estudantes do Afeganistão.

A participação da Amanda nesta competição é a prova de que mesmo quando o sonho parece distante, ele não é impossível. "Quando eu estava na graduação achava que o direito internacional público era algo difícil, mas com a competição pude conhecer muitos brasileiros que fazem diferença nesta área", declara.

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