Tem algumas coisas de que não dá pra escapar e são meio que irrefutáveis. Da matemática, por exemplo, que engancha o braço até no batismo da banda formada por Rafael Zimath (guitarra e voz), Nedilo Xavier (baixo) e Tiago Pereira (bateria), o Somaa.

Vejam vocês o caso do 7: são sete anos de estrada, sete trabalhos lançados (entre EPs, singles e split), a campanha de financiamento do novo disco foi lançada num dia 7 e ele sai nesta terça, 17/7.

Há também o 20: o primeiro registro oficial de Zimath foi há 20 anos (com a Butt Spencer), então distribuído pela mesma Monstro Discos, de Goiânia, que fará o trabalho agora com o álbum do Somaa. E a Monstro, vejam vocês, está comemorando 20 anos de existência.

Chame de coincidência, de destino, de superstição, chame de coisas da vida. Fato é que existe uma conta sendo fechada em “O Mundo quer te Enganar”, primeiro disco “cheio” do trio joinvilense que chega primeiro nas plataformas de streaming e em agosto na forma de CD.

E não estou falando da campanha de financiamento coletivo que ajudou o trabalho a ser concretizado.

Tirando a numerologia envolvida, há algo aqui de matemático, às vezes com uma vírgula pra cá e outra pra lá.

O trio manipula uma balança de precisão, tal qual uma de suas influências, o Helmet, cujos riffs cortantes ecoam em “Profissão de Urubu” e na espetacular “Eu Sou um Terremoto”.

Já “Curvas” e “Pressa, etc” pegam a via milimetricamente pensada do punk rock com refrão grudento.

Não há falta de espontaneidade, mas uma decisão de soar direto, catártico, dois mais dois são quatro. Ajuda muito a produção bombástica de Gabriel Zander e a redução das metáforas ao mínimo.

Se o mundo quer nos enganar, então não há motivo para dar voltas. Enquanto o Somaa traça sua linha filosofal sonora – Black Sabbath, Fugazi, Bad Religion, Queens of the Stone Age – em “Animais Domésticos” e “Gula”, “Desapego” e “Meu Querido Lado Esquerdo”, vai deixando corpos, ilusões e sonhos pelo caminho.

Sim, a vida é dura e a tabuada, implacável. E não será a fantasmagórica “Antoine” a tirar tal impressão da reta.

Depois de sete anos burilando a própria equação, o Somaa chega ao mínimo denominador comum: num mundo de absurdos, o alívio chega com um refrão decente.

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