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Whatsapp

WhatsApp é a principal infraestrutura de negócios do país e expõe brechas que atingem empresas de todos os portes

Divulgação/Meta

Por: Pedro Leal

30/01/2026 - 18:01 - Atualizada em: 30/01/2026 - 18:28

O WhatsApp tornou-se a espinha dorsal da comunicação comercial no Brasil, sustentado por um uso diário que alcança cerca de 81% dos adultos, segundo o DataReportal. O país opera hoje mais de 170 milhões de contas, de acordo com levantamentos da Mobile Time, e está entre os líderes globais em engajamento no aplicativo.

O volume impressiona, mas expõe um problema crescente: o Brasil também figura no topo das contas bloqueadas por uso inadequado, automações irregulares e disparos não autorizados, segundo comunicados institucionais da Meta.

Esse duplo movimento de dependência massiva e riscos crescentes ganhou relevância no radar de investidores e especialistas em tecnologia. Para Marilucia Silva Pertile, cofundadora da Start Growth, venture capital que acompanha a evolução de startups de automação e mensageria, a discussão deixou de ser operacional e passou a ser estratégica. “O WhatsApp virou a principal infraestrutura de negócios do país. Quando utilizado sem API oficial, se transforma também em uma das maiores fontes de vulnerabilidade das empresas”, afirma.

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O impacto já aparece no comportamento de consumo. Dados da Opinion Box mostram que oito em cada dez brasileiros compram ou contratam serviços pelo aplicativo, consolidando-o como um canal comercial decisivo, especialmente em varejo, serviços financeiros, saúde e educação. A combinação entre conveniência e alta taxa média de abertura frequentemente superior a 95%, segundo análises de mercado mencionadas pela Start Growth, torna a mensageria uma alavanca direta para conversão e retenção.

A aceleração, porém, revelou a maturidade desigual das empresas. Estudos da ICTS indicam que 41% das organizações brasileiras não possuem protocolos mínimos de segurança digital, o que inclui ausência de governança sobre canais de mensageria. Na prática, isso significa equipes operando por celulares pessoais, sem controle de acesso, sem backup estruturado e vulneráveis a clonagens, fraudes e penalizações automáticas do próprio WhatsApp.

É nesse cenário que soluções oficialmente integradas à API, como a Aspa, startup investida pela Start Growth, ganham atenção. A plataforma organiza fluxos, automatiza jornadas e centraliza atendimento de múltiplos colaboradores sem violar regras da Meta. Para Marilucia, o ponto decisivo é transformar o que hoje é um canal informal em infraestrutura monitorada e escalável. “Empresas estão percebendo que não basta responder clientes no aplicativo; é preciso tratar o WhatsApp como um ambiente de dados, rastreabilidade e eficiência comercial”, comenta.

Reportagens do ecossistema de inovação destacam o avanço das plataformas plug and play que transformaram a mensageria em motor de vendas, fenômeno que impulsionou unicórnios brasileiros na última década. Mas, segundo a gestora de venture capital, o próximo ciclo de crescimento virá do uso responsável e tecnicamente estruturado do canal. “A nova fronteira do WhatsApp não é só automação: é segurança, compliance e profissionalização”, afirma.

A Aspa, que integra o portfólio da Start Growth, atua justamente nesse ponto. A solução utiliza API oficial, permite atendimento simultâneo, integra dados de CRM e reduz os riscos de bloqueio que afetam empresas que utilizam ferramentas não autorizadas. O modelo acompanha o movimento observado em startups de automação e relacionamento via mensageria, mencionadas em análises como a publicada no portal Startups.com.br .

Para especialistas, o ambiente de negócios brasileiro caminha para uma nova fase. O WhatsApp seguirá como canal dominante, mas a forma como as empresas operam dentro dele determinará ganhos ou perdas. Na avaliação de Marilucia, o cenário exige ação imediata: “A dependência do WhatsApp só vai aumentar. Quem continuar no improviso perderá clientes, histórico, desempenho e, em muitos casos, o próprio número corporativo”.

 

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Pedro Leal

Analista de mercado e mestre em jornalismo (universidades de Swansea, País de Gales, e Aarhus, Dinamarca).