A metalúrgica Tupy, de Joinville, anunciou nesta quinta-feira (23) o início das operações da sua planta-piloto para reciclagem de baterias.
A planta-piloto foi instalada no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo e recebeu investimentos que somam cerca de R$ 45 milhões, entre aportes da Tupy e de parceiros estratégicos.
O processo foi desenvolvido em parceria com o Laboratório Larex da Engenharia da USP; a estrutura no IPT, apoiada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), tem caráter demonstrativo e experimental.
Com a unidade, a Tupy e a USP buscam validar em escala industrial os processos desenvolvidos em laboratório, trabalhando com baterias doadas por parceiros em três frentes: empresas do setor de eletrônicos, companhias ligadas à mobilidade elétrica e empresas que atuam com sistemas estacionários de armazenamento de energia.
Ao todo a instalação tem a capacidade para processar 400 toneladas de baterias por ano, o volume estimado de quase mil veículos puramente elétricos por ano.
As baterias devem chegar à planta dentro de um modelo de logística reversa.
A hidrometalurgia utilizada pela Tupy visa reduzir em até 70% a pegada de carbono dos minerais, quando comparado à mineração tradicional, e evitar a perda de metais leves como o lítio.
A iniciativa está alinhada aos princípios da economia circular e contribui para a descarbonização da cadeia produtiva de baterias, e foi projetada para atender tanto o mercado brasileiro quanto o internacional, com flexibilidade para adaptar-se a diferentes tipos de baterias.
Inserida nesse contexto, a planta-piloto de reciclagem de baterias também se conecta a outras iniciativas estratégicas da Tupy voltadas à cadeia de valor das baterias e dos minerais críticos. A Companhia integra um projeto estruturante da Embrapii para a produção de células de bateria no Brasil, que reúne 27 empresas e prevê a implantação de uma planta-piloto no SENAI do Paraná, em Curitiba.
Atualmente, embora o país já conte com a produção e montagem de veículos elétricos – incluindo ônibus –, 100% das células de bateria ainda são importadas, o que torna o projeto estratégico para o fortalecimento da indústria nacional.
A Tupy também participa do projeto MagBras, que reúne 38 empresas e é voltado ao desenvolvimento de rotas de processamento e reciclagem de terras raras, materiais essenciais para a produção de ímãs utilizados em motores elétricos.
A iniciativa amplia a atuação da Companhia no tema de minerais críticos, conectando reciclagem de baterias em fim de vida, reaproveitamento de materiais e qualificação de matérias-primas para aplicações energéticas e industriais.