Na era da informação, saber usar a tecnologia a favor do negócio é indispensável. Aperfeiçoar processos, reduzir desperdícios, aumentar a produção – tudo é possível com o auxílio do equipamento certo. Foi com este pensamento que a Indumak ganhou destaque no mercado de empacotadoras, enfardadeiras e sistemas de paletização. Com 53 anos de mercado, a empresa utiliza tecnologia 100% brasileira para ajudar o mercado a se tornar mais competitivo. Em um parque fabril de mais de cinco mil metros quadrados, a empresa conta com o apoio de 165 colaboradores para produzir cerca de 50 máquinas por mês. Já foram nove mil máquinas confeccionadas. Para dar conta do recado, a inovação e a qualificação profissional são vistas como aspectos chave do negócio, que conta com mais de 50 assistências técnicas em todo o mundo. Em entrevista exclusiva ao OCP, o presidente da empresa, Célio Bayer, e o diretor comercial, Gelson Renato Schmidt, falam sobre o mercado de tecnologia no Brasil, os anseios e as tendências para o futuro da indústria. ENTREVISTA Como se manter competitivo em um mercado em recessão? Célio Bayer: É preciso estar pronto para inovar. É necessário ter em mente de que a inovação tem que estar em todos os lugares, inovando na gestão, no produto, nos processos, nos mercados. Neste processo, a qualificação profissional é muito importante, porque a cultura da inovação está dentro do conhecimento. Além disso, é fundamental entender as demandas para poder adequar o seu produto ou serviço. Temos profissionais preparados para atender às demandas da indústria? Gelson Renato Schmidt: o norte catarinense é uma região que podemos definir como um verdadeiro pólo desenvolvedor de competências. De maneira geral a qualificação em automação, em sistemas mecânicos e elétricos é grande na região. Isso é possível graças às escolas de formação e entidades que promovem o avanço do conhecimento e a inovação. Como garantir que estes profissionais permaneçam na empresa? Gelson Renato Schmidt: Utilizando a Indumak como exemplo, desenvolvemos no decorrer dos anos programas estratégicos para reter talentos, que é um grande desafio. Dentro disso procuramos integrar as equipes, estimular a chamada interdependência das áreas, ou seja, promover um ambiente em que cada um entenda o impacto da sua atividade no conjunto. Isso promove o crescimento. Todo o mundo tem o objetivo comum do resultado, sabendo que se a empresa vai bem, as pessoas vão bem. Não deixar com que os profissionais se fechem cada um em seu setor. E também, é claro, promover o acesso à gestão, um nivelamento das culturas e o respeito mútuo. Quais são as tendências em empacotamento no Brasil? Célio Bayer: Vemos uma necessidade muito grande de fracionamento. A construção civil, por exemplo, precisa cada vez mais de insumos neste formato, massas prontas e específicas para cada finalidade. O fracionamento surge ainda para cumprir às novas legislações vigentes no país, como normas de segurança que limitam o esforço repetitivo na construção civil. Na alimentação o fracionamento também está muito forte, e neste setor ainda há a necessidade de produzir embalagens diferenciadas, com novos materiais e novos formatos. Para isso é preciso manter os olhos do mercado, observar outros focos. E em termos de tecnologia, quais são as principais tendências? Célio Bayer: A indústria vem passando por uma mudança, que nos Estados Unidos está sendo chamada de manufatura avançada e na Alemanha de Indústria 4.0. Em resumo, é a máquina se comunicando com a máquina para fazer as operações. Gelson Renato Schmidt: Neste cenário, o ser humano fica mais como um supervisor da linha e da programação desta comunicação. Mas as decisões são tomadas pelas máquinas em detrimento dos indicadores que elas possuem, ou de algum acontecimento na linha de produção. Elas se adaptam e se comunicam utilizando sensores e estatísticas. Quais as dificuldades? Célio Bayer: O que falta é mais visão dos órgãos governamentais, no sentido de fomentar a tecnologia. O custo de investimento para automação ainda é muito alto e nossa taxa de juros é muito elevada para este tipo de equipamento. Nós só seremos competitivos se tivermos investimentos nesta área. Na parte de qualificação humana, que é o maior desafio, somos muito evoluídos, tanto é que muitos dos nossos técnicos e engenheiros desta área estão atuando em outros países. Como Jaraguá do Sul está posicionada no setor tecnológico nacional? Célio Bayer: Eu vejo Jaraguá do Sul como uma cidade de cultura inovadora por excelência. Isso já não é de hoje, basta olharmos para a história das pessoas que aqui montaram suas matrizes econômicas. A Duas Rodas, por exemplo, é uma das empresas que mais registra patentes de seus produtos. Para isso, é preciso ser altamente inovador. A WEG tem 60% do seu faturamento relacionado a inovações dos últimos cinco anos. Além de desenvolver produtos, as empresas daqui desenvolveram suas marcas. Por isso Jaraguá é muito bem posicionada. Veja a Indumak, a empresa começou com um cidadão que cultivava arroz e resolveu montar um negócio com um técnico torneiro. No decorrer dos anos, eles foram visionários a ponto de ir de uma prestadora de serviços para uma empresa de tecnologia. Nossa primeira máquina de embalagens de cinco quilos produzia 10 pacotes por minutos. Hoje, produzimos 50 pacotes por minuto. É uma evolução. Qual é o foco da Indumak daqui para frente? Gelson Renato Schmidt: Estamos em um período de retração e entendemos isso como um ciclo. Precisamos estar preparados para estes ciclos. Mas vai chegar um momento em que a economia será retomada, e então exigirá o avanço das tecnologias para expansão da produção. Queremos levar o conceito de indústria 4.0 para o mercado, adaptando essa tecnologia à nossa realidade, estimulando a competitividade das empresas. Queremos ser competitivos na manutenção da competitividade dos clientes.