A Bitcoin, moeda digital criada em 2008, estreou nesta segunda-feira no mercado financeiro internacional, superando os US$ 18 mil dólares por unidade. Na Chicago Board Options Exchange (CBOE) – uma das duas plataformas de futuros  nos Estados Unidos – a moeda estreou às 23h GMT (21h no horário de Brasília) a US$ 15 mil. Quatro horas depois – às 1h20 no horário de Brasília – chegava a US$ 17.750. No dia 18 deste mês, a Chicago Mercantile Exchange (CME) – a maior corretora de derivativos dos EUA – deve disponibilizar suas transações em futuros da Bitcoin. Por enquanto, as operações são no mercado de futuros – no qual “aposta-se” na cotação futura da moeda.  As transações firmadas nesta segunda-feira apostam no valor da moeda para 17 de janeiro, com base nas cotações da Gemini – uma corretora de bitcoins. A disparada do preço da moeda provocou, até a manhã desta segunda, dois circuit breakers – a interrupção temporária das transações por causa da oscilação de preços. O site da CBOE chegou a ser sobrecarregado com a demanda pelos contratos. Nas primeiras quatro horas e meia, foram 1.694 operações. A comercialização da moeda nas bolsas ajuda a legitimá-la como um ativo a ser negociado. A alta no preço da moeda levantou preocupações quanto à formação de uma bolha especulativa, que segundo os vencedores do Nobel de Economia, Jean Tirolle e Joseph Stigliz, pode implodir em breve. No mercado digital, a moeda abriu 2017 valendo US$ 1 mil, com um crescimento de mais de 1.700% em 12 meses. Muitos dos compradores a tratam como um investimento. Em 2011, a moeda passou de US$ 1 para US$ 30 antes de encerrar o ano em US$ 2. Segundo a revista "Bloomberg", cem usuários detêm 17% do mercado de Bitcoins – em sua maioria, pioneiros que seguram suas moedas há anos e a tratam como um investimento. Segundo Derek Thompson, do "The Atlantic", a concentração da moeda a torna mais frágil e mais sujeita a flutuações conforme são vendidas – mas também limita os impactos de uma potencial quebra. O que é Bitcoin e como funciona?   Criada em 2008 e disponibilizada na rede desde 2009, a criptomoeda opera em um sistema chamado “blockchain”.  Uma rede descentralizada computadores “minera” a moeda e mantém o registro de cada operação. Quanto maior o número de moedas em circulação, mais difícil se torna a obtenção de uma nova bitcoin pelos mineradores. O sistema foi pensado para culminar em um total de 21 milhões de bitcoins em 2140. Hoje, são 16,733 milhões de moedas, que podem ser fracionadas em valores menores. Os valores são associados a contas privadas – chamadas carteiras – e podem ser utilizados para compras via internet em alguns sites e serviços, ou para transferências diretas. Sem um órgão regulador, o valor da moeda é controlado estritamente pelo mercado. Como as transações são feitas diretamente entre uma “carteira” e outra, não há intermediador, cobrança de taxas ou tributação. Questões problemáticas Em rápida valorização, a bitcoin tem enfrentado críticas além da volatidade. Seu sistema garante anonimato e privacidade nas transações, feitas diretamente entre as duas partes, expondo apenas o número de suas “carteiras”, dificultando tentativas de rastreamento. Por conta disso e da falta de um órgão regulador, a criptomoeda se tornou uma das mais usadas para compra de drogas e outras transações ilegais na internet. Atualmente, a rede de computadores usada para “minerar” bitcoins consome 31 terawatts-hora de eletricidade, mais energia elétrica do que a Sérvia, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA).  Isso corresponde a 0,13% do consumo global de energia. Segundo um artigo do meteorologista americano Eric Holthaus, a moeda é um “desastre ambiental” pela maneira como a mineração funciona. O impacto deve crescer continuamente: no ritmo de expansão da rede, até o fim de 2019, a mineração de bitcoin deve superar os EUA em consumo de energia. Segundo o site Digiconomist, a rede de transações com bitcoin poderia suprir a demanda de três milhões de lares americanos. Em comparação, as bilhões de transações da rede Visa usam o equivalente a apenas 50 mil lares. Reportagem de Pedro Henrique Leal