Por Ana Paula Gonçalves É na localidade de Garibaldi que está a maior área de cultivo comercial de aipim de Jaraguá do Sul, segundo dados da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural e Abastecimento. Uma atividade enraizada nas características do bairro. A família Müller tem, desde 2004, uma estrutura adequada para o beneficiamento do aipim. Na propriedade, situada na rodovia municipal JGS 461 - Elsa Trapp Meier, trabalham o casal, Rudibert e Regina Müller, junto aos filhos Josiane, Clausiane (foto) e Josimar. Proprietários da marca de aipim Jaraguá, eles se dedicam a todo o processo de produção: plantar, colher, descascar, embalar e vender o tubérculo congelado em pacotes de um quilo. Clausiane, 27 anos, explica que a produção de aipim leva aproximadamente um ano entre o plantio e a colheita. “Nesse ano, plantamos quase 50 mil pés. Mas, compramos de terceiros também, até de fora de Jaraguá do Sul, de municípios como Schroeder e Pouso Redondo, para processar”, informa. O cultivo do tubérculo é considerado relativamente fácil por Clausiane. Ela diz que é possível plantar e colher o aipim praticamente o ano inteiro. “Após a colheita, a rama é aproveitada, sendo possível fazer várias mudas de apenas uma rama. Assim, desde que ela tenha brotos, enterramos a muda e a sua raiz será o aipim”, explica. Obviamente, ressalta, é necessário observar as condições do tempo no momento de plantar, “pois o sol muito forte, geada e chuvas intensas não favorecem a cultura”. No entanto, é difícil haver uma terra em que o tubérculo não se adapte. Conforme a agricultora, a empresa produzia aproximadamente oito mil quilos de aipim processado por mês. No entanto, esse número reduziu pela metade. “Esse ano, a produção caiu bastante, porque em 2016 houve problemas por causa das chuvas de alguns anos atrás, que atrapalharam o plantio. Havia demanda, com muitas pessoas procurando a gente, mas não havia produto para colocar no mercado. Agora, estamos começando a nos recuperar e já temos produto para atender à demanda de Jaraguá do Sul”, ressalta. Números da produção O engenheiro agrônomo da secretaria, Jackson Schütz, revela que de junho de 2016 até junho de 2017 foram emitidas 149 notas fiscais de produtores locais, no valor total de R$ 225.249,15. “Trinta e oito produtores emitiram essas notas para um total de 193.757 quilos do produto. Mas, com certeza esses dados podem ser dobrados. Muitos produtores não emitem notas e vendem diretamente ao consumidor”, explica o engenheiro. Schütz acredita que a produção total passe de 2,5 mil toneladas por ano e o número de produtores passe dos cem. “Realmente deve ter abaixado a produção desde o último levantamento do IBGE. A área cultivada, hoje, não deve ultrapassar os 250 hectares”, estima, sem ter em mãos dados oficiais. Segundo o escritório local da Epagri, Jaraguá do Sul tem, atualmente, três agroindústrias de beneficiamento do tubérculo, duas delas já regularizadas e outra em processo de regularização. Estas empresas são abastecidas, também, pelos pequenos produtores da região. A produção está concentrada basicamente no Garibaldi. Desafios de apostar no campo Para Clausiane, o que mais atrapalha na produção do aipim é a concorrência desleal. “Estamos sempre nos adequando às novas normas e leis, à Vigilância Sanitária. O problema é que, aqui no interior, todos descascam um quilo de aipim e vendem, cobrando até mais do que o que nós cobramos. Isso é o que mais nos prejudica”, aponta. Em termos de infraestrutura, a produtora Regina Müller destaca que a situação das estradas deixa a desejar, pois dificilmente há manutenção. “Normalmente, arrumamos por conta própria o que tem mais urgência. Já solicitamos, por exemplo, que a estrada seja molhada uma ou duas vezes por semana quando o tempo está bom, por causa do pó. Como trabalhamos com alimentos, há necessidade de um ambiente livre de pó”, enfatiza. Ela e a filha observam que, no período mais seco, quando a estrada está melhor, há grande movimento. “Se não há condições de colocar asfalto, molhar já ajudaria. Acaba que nós mesmos molhamos quando a situação fica difícil”, argumenta. “A logística de morar no interior atrapalha um pouquinho, mas, ao mesmo tempo, o produto está aqui, então, precisamos de melhores condições. Particularmente, não trocaria o interior pelo Centro da cidade”, complementa Clausiane. Produção anual entre 2016 e 2017 38 Produtores que emitiram notas 149 Notas emitidas durante um ano (de junho de 2016 a junho de 2017) R$ 225.249,15 Valor total das notas emitidas 193.757 kg Peso total