Em meio a pressões do governo, a Petrobras aprovou ontem o primeiro plano de negócios no governo Lula, com investimento de US$ 102 bilhões (cerca de R$ 500 bilhões) no período de 2024 a 2028.

A cifra representa aumento de 31% em relação ao plano anterior (2023-2027). Os focos serão o pré-sal, a margem equatorial, além do aumento da capacidade de refino com a ampliação de unidades existentes, e investimento em energias renováveis.

As informações são do portal G1 e do jornal O Globo.

Nesta semana, o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, se encontrou duas vezes com o presidente Lula, depois que os ministros de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e da Casa Civil, Rui Costa, começaram a articular sua substituição, o que eles negam.

Entre os temas dos encontros, pedidos para reduzir o preço dos combustíveis e discussões sobre os rumos da empresa.

O governo busca fazer da estatal uma vitrine, com a ambição de capitalizar em cima de grandes projetos de investimento. Mas a Petrobras tem defendido uma guinada, para diversificar sua estratégia de atuação e abrir uma frente de investimentos renováveis.

O plano apresentado pela estatal inclui US$ 91 bilhões em projetos em implantação e US$ 11 bilhões em iniciativas em avaliação (que ainda dependem de análise sobre o financiamento). A exploração e produção de petróleo continua como o carro-chefe da companhia, com 72% dos aportes previstos, e foco no pré-sal.

O investimento em refino, que voltou a fazer parte da estratégia da estatal, corresponde a 16%. Já a área de gás, energia e baixo carbono ficou com 9%. O plano contempla aportes na Foz do Amazonas, nova fronteira de exploração, considerada uma opção polêmica, à medida que enfrenta resistências pelo risco ambiental.

Oss projetos verdes, no entanto, não foram detalhados. A estatal destacou apenas que vai investir em fonte eólica, solar, hidrogênio e em iniciativas de captura e armazenamento de carbono.

Na média dos próximos cinco anos, o investimento em baixo carbono vai representar 11% do investimento total da Petrobras. A previsão da empresa é que ele chegue a 16% em 2028.

A Petrobras informou ainda que, além de novos projetos, poderá fazer aquisições. O plano prevê também um valor entre US$ 45 bilhões e US$ 55 bilhões como dividendos gerais.

Sem redução nos preços

Prates apresentou os dados da companhia, a evolução dos preços e a fórmula de cálculo adotada durante a reunião. Após os debates houve um entendimento de que é melhor esperar.

O objetivo era demonstrar que a Petrobras não pode repassar imediatamente ao consumidor toda a queda no preço do barril de petróleo e no valor do dólar em relação ao real, porque precisa compensar as perdas acumuladas enquanto esses mesmos indicadores estavam em alta e a companhia segurou os preços.

O argumento também foi defendido por Haddad.

Nas contas da estatal, seria preciso segurar os preços sem grandes quedas, ao menos até o fim do ano, para atingir uma média que não ficasse muito abaixo dos parâmetros considerados saudáveis. Os participantes combinaram de fazer novo encontro para avaliar a situação.