A LG tomou a decisão de encerrar as atividades de sua divisão de celulares em todo o mundo e, apesar de não ter divulgado o número de trabalhadores que perderão o emprego por conta do fechamento de fábricas, a companhia enfrenta uma greve no Brasil. Enquanto isso, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região (SindmetalSJC), Weller Gonçalves, propõe estatizar a LG do Brasil para produzir celulares nacionais.

As informações são do portal CanalTech. A paralisação dos funcionários na fábrica de Taubaté, interior de São Paulo, já tem três semanas. A companhia sul-coreana já avisou que pretende transferir a produção de notebooks e monitores no local para Manaus, o que levaria ao fechamento total da fábrica, também responsável pela produção dos celulares da marca no país.

Ao mesmo tempo, trabalhadores das metalúrgicas Sun Tech, Blue Tech e 3C, fornecedoras da LG, também entraram em greve.

Entre as exigências dos grupos está a manutenção dos empregos e direitos de todos, mesmo com a saída da LG.

Em um artigo escrito no início do mês, Weller Gonçalves, presidente do SindmetalSJC, escreveu um artigo em que defende a “estatização da LG do Brasil”, ou seja, pede que o governo federal intervenha para garantir as vagas de todos os trabalhadores no país. A proposta, caso fosse levada adiante, não teria precedentes; a ultima nacionalização de grande porte na América Latina ocorreu em maio de 2006, quando o presidente da Bolívia, Evo Morales, decretou a nacionalização de todo o setor de hidrocarbonetos - a medida causou desconforto e tensões diplomáticas entre a região.

“Apesar do Brasil ter garantido para a companhia asiática a terceira posição em venda de smartphones nos últimos anos, a decisão da matriz é impiedosa e trará efeitos dolorosos ao nosso país”, argumentou Gonçalves. “Isso é parte da reestruturação produtiva conduzida por seus executivos para garantir mais lucros e que aprofunda o agudo processo de desindustrialização vivido pelo país e que deveria ser combatido pelo governo”, ressaltou, ao lembrar que a pandemia de COVID-19 afetou outras áreas.

De acordo com o artigo, a saída da LG causará a perda de 700 postos na fábrica de Taubaté, que se somam a possíveis 430 cortes nas fornecedores Sun Tech, localizada em São José dos Campos, Blue Tech e 3C, localizadas em Caçapava, também cidades do interior paulista. Segundo Gonçalves, as metalúrgicas “operam majoritariamente com mulheres, que, na atual conjuntura, encontrariam sérias dificuldades para se recolocarem no mercado de trabalho”.

Ainda de acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, o Brasil possui tecnologia suficiente para produzir celulares por conta própria. Isso inclui, segundo ele, “maquinário e o capital humano com capacitação técnica necessários para desenvolvermos celulares com marca nacional”.

“Caso a LG insista no fechamento, a mudança de postura do Sindicato de Taubaté fortaleceria a pressão junto ao governo federal para que a empresa seja estatizada, sob controle dos trabalhadores. Consideramos essa medida plenamente executável”, defendeu Gonçalves.