“Sem-vergonhas” serão retirados do Bolsa Família, diz economista da equipe de Lula

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Por: Pedro Leal

05/12/2022 - 10:12 - Atualizada em: 05/12/2022 - 10:52

Parte do gabinete de Transição do presidente-eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a economista Tereza Campello, afirmou, em entrevista ao Estadão publicada nesta segunda-feira (5), que o novo presidente irá retirar do Bolsa Família o que chamou de “sem-vergonhas”.

Campello, que foi ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome no governo Dilma Rousseff (PT), acusa o governo incumbente de ter feito um “Movimento pré-eleitoral para ampliar o número de pessoas beneficiadas com o Auxílio Brasil”.

Ela afirma ainda que o programa vai voltar a se chamar Bolsa Família.

Segundo ela, pessoas que não poderiam receber o benefício foram contempladas.

“A legislação é clara: as pessoas não podiam estar recebendo. Estamos conversando com os municípios. Esse povo vai bater na porta da prefeitura quando o recurso for bloqueado. Serão filas enormes no início do governo Lula com muita gente pobre, mas também muita gente sem vergonha. Queremos tirar os sem-vergonha”, disse a economista.

Ela diz que vai dar muito trabalho fazer a regularização do cadastro. “Tem um monte gente que entrou que não faz parte da população pobre ou desinformada. Tem gente com má fé. Está coalhado de casos que são fraude mesmo. Será preciso apurar. Temos que ir atrás do dinheiro”.

Além disso, haveria também casos em que as pessoas foram levadas ao erro. “Não é que as pessoas tentaram fraudar, mas o modelo que eles implantaram induz as famílias a se cadastrarem por adulto. Se tem dois adultos na mesma casa, se cadastram os dois. O certo seria uma família, como era no Bolsa Família”.

Em entrevista ao UOL News em novembro, a economista Tereza Campello já havia dito que o governo eleito faria mudanças no Auxílio Brasil, mas disse que não seriam feitas “alterações bruscas”.

“Não vamos fazer alterações bruscas. O presidente vai assumir, chamar prefeitos, chamar a rede de assistência social, conversar com a sociedade para retomar esse processo de reconstrução do Bolsa Família, seja do ponto de vista da equidade, olhando a composição da família. Agora, as condicionalidades, vamos retomar imediatamente”, afirmou, na ocasião.

A nova versão do programa deve retomar a obrigatoriedade de vacinação e de frequência escolar, retiradas em 2021. O programa também levar em conta a estrutura familiar, como, por exemplo, se é um homem que mora sozinho ou se é uma mulher com crianças, mas sem cônjuge ou companheiro.

“Hoje um homem que mora sozinho e uma mãe com duas crianças com menos de três anos de idade ganham a mesma coisa, R$ 600. Um ganha R$ 600 per capita e outro R$ 200 per capita”, disse.

As equipes, divididas em 31 grupos e com mais de 200 integrantes no total, têm até 10 de janeiro para fazer relatórios temáticos para o governo eleito com sugestões sobre as primeiras políticas públicas de cada setor. Assim, quando o presidente assumir, já terá um raio-X da administração pública e poderá tomar as primeiras medidas.