Pela oitava queda consecutiva o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduziu a taxa de juros, a SELIC para 2,25%, uma queda de 0,75% - a maior nessa série de quedas, que levou a taxa base de juros ao seu menor valor histórico.

Esse movimento já era esperado pelo mercado e esta alinhado com a estratégia de retomada econômica do país, que se torna ainda mais importante pós-Covid-19, afirma o analista financeiro do grupo Warren, Layon Dalcanali.

"Esse movimento é visto com bons olhos pelo mercado e só é possível devido ao momento de inflação baixa, previsto IPCA fechar abaixo de 2% no ano", explica.

"O juro se mantendo baixo a médio e longo prazo se torna uma grande mola impulsora na economia, estimula o crescendo, onde empresas tem acesso ao crédito mais barato para investimentos e também para população, que pagando menos juros pode consumir mais", diz o economista.

Para o presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs), Luís Huffenüssler Leigue, isso não deve ter o impacto na microeconomia.

"A questão macro parece que se encaminha, mas essa redução na taxa de juros não chega no pequeno e no médio, na economia doméstica, na economia informal, os grandes motores das economias locais", comenta.

Leigue frisa que é preciso outras medidas para reaquecer a economia, com um novo modelo de fazer o dinheiro girar, como pagamentos online e transferências digitais, assim como de celeridade nas reformas a muito atravancadas, enquanto o estado segue sendo um "parceiro" pesado para o empresariado.

"Talvez essas reformas sejam mais importantes do que reduzir a taxa de juros, as empresas deixam muito com o nosso 'sócio' governo e acabam inviabilizadas ou indo para a irregularidade, onde sofrem mais riscos", diz.

Impacto nos investimentos

Dalcanali frisa que os investimentos devem ter o maior reflexo com a queda nos juros, enfraquecendo aplicações tradicionais como poupança e renda fixa e levando mais capital aos investimentos materiais e empresariais.

"Os investimentos conservadores, como renda fixa, que usam a SELIC como base, remuneram menos, a poupança, por exemplo, está pagando agora 0,13% ao mês ou 1,57% no ano, ou seja, rende menos que a inflação. Será natural, o investidor terá que mudar sua forma de investir, ganhar 1% ao mês sem risco na renda fixa não existe mais, e isso é muito bom para o país, pois cada vez mais as pessoas terão que investir na economia real, nas empresas, e o mercado de ações se torno o melhor caminho para isso", diz.

"Apesar de termos muitos desafios pela frente, sejam políticos ou econômicos, o ponto é que estamos no caminho correto e se conseguirmos manter o juro baixo por um bom tempo, da mesma forma que é nos países mais desenvolvidos, podemos viver um novo momento", completa Dalcanali.

 

Quer mais notícias do Coronavírus COVID-19 no seu celular?

Mais notícias você encontra na área especial sobre o tema:

Receba as notícias do OCP no seu aplicativo de mensagens favorito:

WhatsApp

Telegram Jaraguá do Sul