O verão dos banhistas das praias de Santa Catarina será ainda mais seguro, graças à rede de monitoramento costeiro da Epagri/Ciram. A instituição implantou, em menos de dez anos, a maior e melhor rede de monitoramento de mar do Brasil. São dez equipamentos instalados ao longo de toda a linha litorânea, que fornecem informações fundamentais para as atividades marítimas.

A rede da Epagri/Ciram conta com estações maregráficas instaladas em Florianópolis, Itapoá, Laguna, Porto de São Francisco, Balneário Camboriú, Imbituba, Balneário Rincão, Ilha da Paz, Passo de Tores e Barra Velha.

Os equipamentos medem maré, precipitação e temperatura da água. Os dados medidos podem ser conferidos em tempo real no link Litoral On-line, do site da Epagri/Ciram.

As variáveis são medidas em intervalos de cinco minutos e enviadas a cada 15 minutos para o banco de dados da Epagri/Ciram, em Florianópolis. Lá a qualidade dos dados é testada e, caso não sejam identificados erros, eles são publicados a cada hora no Litoral On-line. Tudo é feito de forma automática, sem a interferência humana.

O Porto de São Francisco é um dos que mantém contrato de serviço com a Epagri/Ciram |Foto Matias Boll/Epagri

Das dez estações maregráficas da rede da Epagri/Ciram, sete medem o nível do mar (ou seja, a variação da maré) com sensor do tipo radar, um equipamento moderno e preciso, importado da Alemanha. Esse sensor, que fica acima do mar, emite uma onda eletromagnética que bate na superfície da água e retorna ao aparelho, onde são feitos os cálculos necessários para medir o nível. Como está fora da água, dá menos problemas e, no caso de ser necessária uma manutenção, o acesso a ele é bem mais simples. Nos outros três marégrafos da rede, os sensores de nível são de pressão, o que significa que estão instaladas dentro de água.

Outro equipamento de ponta da rede é o correntômetro instalado na Baía da Babitonga, em São Francisco do Sul. A tecnologia foi importada dos Estados Unidos a um custo de R$ 100 mil, bancado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Mede a correnteza a uma profundidade de cinco metros e fornece informações fundamentais para navegação, especialmente de grandes embarcações.

Temperatura

A mais recente inovação da rede de monitoramento costeiro da Epagri/Ciram é a medição da temperatura da água nas praias de Santa Catarina. No final de 2018 a rede passou a medir essa variável em seis pontos da costa: porto de Itapoá; praia de Laranjeiras, em Balneário Camboriú; Caieira da Barra do Sul, em Florianópolis; porto de Imbituba; porto de Laguna; e barra do rio Mampituba, em Passo de Torres.

A temperatura do mar varia muito no litoral de Santa Catarina. É que o Estado está numa zona de transição, com influência de correntes marinhas tropicais e subtropicais. Assim, recebe uma corrente mais fria ao Sul, vinda da região polar (ramo costeiro da corrente das Malvinas). Já o litoral Norte é influenciado por correntes marinhas mais quentes. No dia 14 de novembro de 2018, por exemplo, véspera de feriadão, o Litoral On-line exibia ao mesmo tempo temperaturas da água de 26,59°C em Balneário Camboriú e de 19,45°C em Imbituba.

Caro e difícil

“O monitoramento de mar é mais caro e difícil de fazer”, explica Matias Boll, pesquisador do setor de Oceanografia e Monitoramento Costeiro da Epagri/Ciram. Ele conta que o ambiente mais agressivo, o alto valor dos equipamentos e o custo elevado da manutenção são empecilhos para que redes desta natureza se espalhem pelo litoral brasileiro.

“A manutenção tem que ser mais efetiva, porque os equipamentos estão expostos à corrosão e podem até afundar. A logística para chegar até os pontos de monitoramento pode ser mais complicada também”, relata Matias, ressaltando que a instituição se empenha em fazer manutenção preventiva na rede catarinense.

 

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