Santa Catarina pode ser protagonista em mobilidade elétrica no Brasil. O estado lançou recentemente o Programa SC+Elétrica e um conjunto de iniciativas que pode torná-lo desenvolvedor, produtor e exportador dessa tecnologia.

“Se tem alguém que pode liderar isso na América Latina é o Brasil e dentro do Brasil é Santa Catarina”, disse o presidente da Câmara de Smart Cities da Federação das Indústrias (Fiesc), Jean Vogel, que abordou o tema em reunião de diretoria da entidade, nesta sexta-feira, dia 21, junto com o diretor da GM, Adriano Barros, e com Daniel Godinho, da Weg. A GM expõe na Fiesc o Bolt, carro 100% elétrico da montadora, com autonomia que supera os 400 km.

“O setor de eletrificação no Brasil precisa se desenvolver. É tendência no mundo e está em evolução. Temos que participar e ser um estado protagonista”, afirmou o presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, destacando que a FIESC tem uma série de ações na área, inclusive um instituto, em Jaraguá do Sul, focado em mobilidade elétrica.

Barros, diretor de relações públicas e governamentais da montadora, disse que a GM anunciou um investimento em eletrificação de US$ 35 bilhões no mundo até 2025. “Não quero que a gente seja mero importador dessa tecnologia. Acredito que podemos ser, de fato, desenvolvedor, produtor e exportador”, disse, ressaltando que o veículo elétrico ainda é caro, mas há pesquisas que mostram perspectiva de queda de 57% no custo das baterias até 2030. “Quando tivermos essa queda, o preço do veículo vai cair. Hoje, a bateria corresponde a cerca de 60% do custo do carro”, explicou, observando que esse é o momento de ingressar nesse mercado para aproveitar as oportunidades.

Quando se fala em carro elétrico, uma das principais dúvidas é o descarte das baterias. O diretor de relações institucionais e marketing da Weg, Daniel Godinho, explicou que a segunda vida da bateria já está equacionada. “Ela será utilizada em sistemas de armazenamento de energia de fontes intermitentes, como a eólica e a solar. “Como não é toda hora que tem sol ou vento, é necessário ter esse sistema de armazenamento com bateria para garantir a segurança na transmissão dessa energia. Então essa é uma solução que está crescendo muito no Brasil e no mundo”, informou.

Godinho disse ainda que a companhia entende que a mobilidade elétrica é, de fato, uma grande oportunidade tecnológica e de mercado para o Brasil. “Não podemos deixar de apoiar uma nova rota tecnológica e por que não ser um dos protagonistas nessa frente?”, indagou, observando que a empresa anunciou, recentemente, investimento de R$ 660 milhões para a ampliação de capacidade fabril em Santa Catarina, inclusive com a construção de uma fábrica para a produção de motores para a mobilidade elétrica. Ele também preside a Câmara de Desenvolvimento da Indústria de Máquinas e Equipamentos Elétricos da Fiesc.

Projetos: Na reunião, também foram apresentadas as linhas gerais de quatro projetos-pilotos que estão previstos para serem executados em Florianópolis, Balneário Camboriú, Joinville e Jaraguá do Sul para estimular a mobilidade elétrica.