Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

SC conquista centros tecnológicos de R$ 385 milhões para setor de óleo e gás

Centros serão instalados junto ao Instituto SENAI de Inovação em Joinville. Divulgação/Senai

Por: Pedro Leal

05/03/2026 - 15:03 - Atualizada em: 05/03/2026 - 15:58

Com investimentos de R$ 385 milhões, Joinville se transformará em um polo de tecnologia de excelência em desenvolvimento de equipamentos de grande porte para o setor de óleo e gás. Três centros tecnológicos serão instalados no Instituto SENAI de Inovação e são resultado de parceria entre o SENAI/SC e a Petrobras.

O anúncio dos investimentos é nesta sexta-feira (6), em evento com o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, e o governador Jorginho Mello, às 11h, no Instituto SENAI em Joinville.

Entre as estruturas, está o Centro Tecnológico de Manufatura e Sistemas Cibermecânicos (Cetemo). O projeto, apresentado pelo SENAI de Santa Catarina, foi selecionado em chamada pública da Petrobras, em nome do Consórcio Libra – parceria entre a estatal, a Shell Brasil, TotalEnergies E&P, CNOOC Petroleum Brasil e CNODC Brasil.

Clique e assine o Jornal O Correio do Povo!

O Cetemo, orçado em R$ 283 milhões, se une aos Centros Tecnológicos de Robótica e a Laser, que também são resultado de parceria entre os Institutos SENAI de Inovação em Joinville e a Petrobras. Os acordos foram firmados em 2023 e os dois centros estão em fase de implantação, com mais de R$ 102 milhões em investimentos. Essas duas estruturas estarão focadas na evolução tecnológica em manutenção aditiva a laser e robótica para o setor de óleo e gás. Entretanto, outros segmentos industriais, como o automotivo, aeroespacial, energia, naval, mineração e de transporte, também serão beneficiados.

Seleme afirma que a nova estrutura traz uma série de oportunidades para a ampliação da competitividade nacional no setor de óleo e gás e para o desenvolvimento da cadeia metalmecânica da região.

“O Brasil passa a incorporar uma tecnologia que ainda não domina e, de imediato, Santa Catarina se beneficiará de parcerias internacionais”, explica o presidente da FIESC.

“Além disso, o novo centro promoverá o desenvolvimento de uma cadeia nacional e regional de suprimentos”, acrescenta Seleme, ao lembrar que, em um raio de 100 quilômetros de Joinville, existem pelo menos uma dezena de indústrias de fundição que podem absorver o fornecimento de peças de elevado valor agregado à Petrobras e outras empresas do setor. O Cetemo inclui edificação física de 3,3 mil metros quadrados e aquisição de equipamentos inéditos no Brasil. A nova estrutura deverá entrar em operação em aproximadamente 36 meses.

Desenvolvimento de tecnologias e capacitação profissional

“O modelo de negócios a ser adotado prevê o uso das máquinas por empresas parceiras para a fabricação de componentes, mas sua ênfase continuará nas atividades-fim do SENAI: desenvolvimento de novas tecnologias, que é o foco dos institutos de inovação, além da educação profissional”, diz o diretor regional do SENAI/SC, Fabrízio Pereira.

“Nós vamos desenvolver novas tecnologias que podem ser incorporadas pela própria parceira e por outros fornecedores”, acrescenta Pereira.

Robô desenvolvido pelo ISI Joinville para a preparação, pintura e inspeção em superfícies planas e desobstruídas de navios-plataforma. Foto: André Kopsch

Nos últimos anos, os Institutos de Inovação do SENAI em Joinville e em Florianópolis desenvolveram uma série de equipamentos, dentre os quais, estão os robôs de pintura de plataformas marítimas (que aumenta a segurança do trabalho e reduz custos) e de limpeza de dutos do pré-sal (também visando à redução de custos). “Os centros tecnológicos que estamos estruturando são plataformas estratégicas de inovação que fortalecem a capacidade da indústria brasileira de desenvolver soluções de alto valor agregado e impulsionam a formação de talentos para setores como o automotivo, aeroespacial, naval, energia e mineração”, elenca Pereira.

Cézar Siqueira, gerente geral de pesquisa, desenvolvimento e inovação para o desenvolvimento da produção do Centro de Pesquisas CENPES da Petrobras, explica que o investimento em tecnologia nacional e o fortalecimento da cadeia de fornecedores brasileiros é um compromisso da entidade.

“Os centros tecnológicos que estão sendo desenvolvidos são fundamentais para acelerar a inovação em áreas estratégicas, além de contribuir para elevar a produtividade, reduzir riscos operacionais e ampliar a competitividade da indústria nacional. É um importante passo rumo a uma Petrobras cada vez mais sustentável, eficiente e conectada com o futuro”, frisa Siqueira.

Neoindustrialização

O cronograma final de instalação do novo centro, bem como o orçamento final serão fechados nas próximas etapas de negociação com a Petrobras. As máquinas serão fabricadas especificamente para o Cetemo por fornecedores de países como a Alemanha e o Japão.

Segundo o gerente de Tecnologias Aplicadas da Petrobras, Vinicius de França Machado, os resultados esperados são “a pesquisa e desenvolvimento de novas soluções mecânicas, a construção e testagem de protótipos de novas tecnologias e a realização de engenharia reversa e análise de falha de equipamentos danificados em busca de melhorias”. Também integra o escopo da iniciativa a capacitação e treinamento de profissionais e pesquisadores na área “para desenvolver a indústria nacional de manufatura e usinagem de equipamentos com as tecnologias de ponta do cenário mundial atual”.

Os investimentos estão em linha com a Resolução da Agência Nacional do Petróleo (ANP) sobre Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) que estabelece normas para a aplicação de recursos em projetos no setor de petróleo e gás.

Soluções tecnológicas customizadas

Exemplo do que pode ser fabricado no local são os conectores para dutos do pré-sal. Estes dispositivos têm peso e dimensão da ordem de 10 toneladas e mais de 40 polegadas de diâmetro. São produzidos com as ligas de aço duplex e superduplex. “Quando são conectados aos dutos, é necessário que seja garantido vazamento zero, ou seja, nenhuma gota de petróleo pode cair no oceano”, explica o pesquisador-chefe dos Institutos SENAI de Joinville, Luís Gonzaga Trabasso.

Isto significa que, além da elevada dimensão e peso, os conectores exigem uma tecnologia extremamente avançada. Além disso, ao estimular a fabricação nacional, a Petrobras tem ganho no menor tempo de parada das plataformas em caso de peças danificadas ou desgastadas.

Inovação para o setor industrial

Além do Cetemo, Joinville receberá outras duas estruturas. “O Centro Tecnológico de Robótica será composto por uma nova estrutura física e equipamentos e prioriza o desenvolvimento de robôs para o setor industrial e outras aplicações, especialmente para testes e simulados de tecnologias off-shore e on-shore”, explica o pesquisador-chefe dos Institutos SENAI em Joinville. Entre seus laboratórios, o CT Rob terá uma piscina para testes de resistência de itens submersos.

O Centro Tecnológico de Laser, por sua vez, prevê a aquisição, entre outros equipamentos, de um tomógrafo da alemã Zeiss, e a certificação com o instituto Norueguês DNV (Det Norske Veritas), referência mundial em seguridade de estruturas marítimas.

Indústria naval fortalecida

Entre os possíveis clientes destes novos centros está a indústria naval catarinense, cujo polo é Itajaí, onde está em andamento a construção de quatro fragatas da Classe Tamandaré, de elevada complexidade tecnológica, para a Marinha do Brasil. “A construção dessas quatro fragatas vai robustecer a indústria naval catarinense e a presença de um centro nos moldes do Cetemo deve potencializar ainda mais este segmento”, comenta Seleme.

Orçado em R$ 9 bilhões, o projeto já iniciou a montagem da segunda unidade e, durante sua execução, deve gerar 2 mil empregos e 6 mil indiretos. Serão escoltas versáteis e modernas com alta capacidade de combate, vigilância e reação. A expectativa é que o índice de nacionalização dos componentes seja acima de 30% para o primeiro navio e de 40% para os demais. “O projeto das fragatas tem os propósitos de elevar os índices de conteúdo local e promover a transferência de tecnologia no segmento naval; tal qual o Cetemo em relação à extração de petróleo do pré-sal”, acrescenta o presidente da FIESC.

Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Pedro Leal

Analista de mercado e mestre em jornalismo (universidades de Swansea, País de Gales, e Aarhus, Dinamarca).