Santa Catarina conquistou nesta terça-feira (20), a Indicação Geográfica (IG) do Mel de Melato da Bracatinga na categoria Denominação de Origem do Planalto Sul Brasileiro. Esta é a quinta IG do território catarinense. A certificação é concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) e atesta que um produto só tem aquelas características porque é produzido de determinada forma, ou porque tem notoriedade na produção.

A Denominação de Origem parte do pressuposto de que as características geográficas (naturais e humanas) dessa região determinam a singularidade e a qualidade do produto. Além do mel de Melato da Bracatinga, contam com IG o Vinho dos Vales da Uva Goethe, as Bananas da Região de Corupá, a do Campos de Cima da Serra para Queijo Serrano e a IG Vinhos de Altitude de Santa Catarina, na modalidade Indicação de Procedência (IP). Erva-mate do Planalto Norte é outro produto que está sendo trabalhado pela Epagri para obtenção de IG, além da maçã fuji, esta em parceria com o Sebrae.

A IG do mel de Melato da Bracatinga abrange uma área de 134 municípios, sendo 107 de Santa Catarina, 12 do Paraná e 15 do Rio Grande do Sul. Por sua prevalência no território catarinense, o processo de certificação teve participação da Epagri nas ações de pesquisa e extensão, em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e as associações de apicultores da região.

A Federação das Associações de Apicultores de Santa Catarina (Faasc) foi a instituição solicitante da IG, em parceria com as federações de apicultores de Rio Grande do Sul (FARGS) e do Paraná (FEPA).

O mel de melato da bracatinga é fabricado pelas abelhas a partir do líquido açucarado que um inseto chamado cochonilha produz ao se alimentar da seiva da bracatinga, uma espécie arbórea nativa do Brasil, com distribuição predominante na região Sul. Esse fenômeno ocorre apenas em áreas com altitudes acima de 700 metros no Planalto Sul Brasileiro.

A cada dois anos, nos anos pares, os bracatingais são infestados por cochonilhas, que se fixam no tronco das árvores e se alimentam da seiva, excretando um líquido adocicado, o melato. Este mesmo líquido, que fica depositado nas partes externas da planta, é utilizado como matéria-prima pelas abelhas da espécie Apis mellifera e, a partir dessa associação, é elaborado o mel de melato de bracatinga.

Estudos pioneiros com mel de melato da bracatinga da região demarcada demonstraram que ele possui características diferenciadas em relação aos méis florais e de melato de outras origens. Além da presença das enzimas das abelhas produtoras, contém enzimas derivadas das secreções das glândulas salivares e do intestino das cochonilhas, que promovem a coloração mais escura (âmbar), maiores teores nitrogênio e minerais, entre outras características.

Mas seu grande diferencial são os efeitos benéficos à saúde devido à presença de compostos bioativos e potencial antioxidante. Destaque para a maior concentração dos aminoácidos livres serina, prolina, asparagina, ácido aspártico e ácido glutâmico.

O mel de melato apresenta ainda menores quantidades de frutose e glicose e não cristaliza como o mel floral. Em Santa Catarina, 95% da produção desse mel é exportada.

Segundo Everton, o próximo desafio das equipes envolvidas no trabalho será a operacionalização e gestão da IG do Mel de Melato da Bracatinga do Planalto Sul Brasileiro. Neste sentido, uma das primeiras ações será a efetivação do Conselho Gestor, que envolve as Associações de Produtores e suas Federações nos estados do Sul do Brasil, além de representantes de todos os segmentos da cadeia produtiva, como empresários, técnicos, instituições públicas, etc.