O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo Santa Catarina (Fecomércio-SC), o empresário jaraguaense Bruno Breithaupt destaca os bons resultados da economia para o estado: segundo levantamentos da entidade, Santa Catarina deve confirmar um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)  entre 3% e 4%.

A projeção que oscila entre o dobro e o triplo da estimativa nacional, entre 1,3% e 1,45% - o dado oficial para o crescimento da economia deve ser divulgado em março pelo IBGE. Em 2017, quando o país cresceu apenas 1%, Santa Catarina registrou um crescimento do PIB de 4,1% - quatro vezes o nacional.

Na semana passada, o empresário retornou de uma missão empresarial a Nova Iorque (EUA), onde visitou o maior evento do varejo mundial, a NRF Big Show, Breithaupt também destacou os resultados de 2018 e a projeção para a economia de Jaraguá do Sul em 2019, com uma das melhores performances de Santa Catarina.

Breithaupt também frisou outros avanços obtidos nos Estados Unidos e fez uma análise do momento do país.

O líder empresarial destacou o otimismo dos segmentos representados pela federação e afirmou que turismo será o principal foco de atuação da entidade, tanto pela repercussão econômica que traz quanto pelo impacto em geração de emprego e renda.

Um dos focos deste trabalho com turismo é dessazonalizar o turismo, mudando a realidade turística do estado, centrado em litoral no verão, serra no inverno e eventos no resto de Santa Catarina, caso de Jaraguá do Sul.

Confira a entrevista

Como foi 2018 para o setores representados pela entidade?

Foi um ano difícil, com greve dos caminhoneiros, eleições, Copa do Mundo. Ainda assim, Santa Catarina se sobressaiu no crescimento do varejo.

 

Nos 12 meses entre dezembro de 2017 e novembro de 2018, tivemos, conforme os dados oficiais, incremento de 8,5%, enquanto o índice nacional foi de 6,2%.

 

Santa Catarina descola do país mais uma vez e mostra que é um estado de economia diversificada, bem distribuída, com renda média maior e bem equilibrado.

E qual a expectativa para 2019? Mais crescimento?

Fizemos uma pesquisa que mostrou que 82,7% dos consumidores catarinenses acreditam que 2019 será um ano melhor. Na virada para 2018 esse índice era de apenas 55%.

 

A expectativa de aumento de vendas foi pontada como ótima por 89% dos empresários consultados.

E quanto à Jaraguá do Sul?

A partir do momento em que o resultado das eleições com esse desenho atual, houve uma motivação por parte do consumidor, que se demonstra mais otimista em relação ao consumo.

 

O reflexo é acreditar que no momento não vai ser um 'boom' de consumo, mas já observamos que o consumo está mais elevado.

 

E isso se observa em Jaraguá do Sul com o resultado da geração de empregos, entre os maiores do estado [o município foi o 9º maior contratador do estado, com 459 postos de carteira assinada.

 

Santa Catarina, por sua vez, foi o terceiro maior contratador do país]. São sinais de que a economia esta voltando.

 

Só pelo simples fato do emprego, com um índice excelente de novas contratações, toda a cadeia econômica ganha, inclusive para a indústria que pode voltar crescer.

 

O comércio por sua vez, que foi o último a entrar em declínio, agora se demonstra o primeiro a retomar o crescimento.

A sua recente vigem aos Estados Unidos foi produtiva para Santa Catarina?

Temos ido praticamente todos os anos à NRF Retail’s Big Show, sempre com a expectativa de verificar as grandes mudanças que acontecem no varejo mundial.

 

O principal tema debatido na edição 2019 foi com relação ao mundo digital, à utilização da inteligência artificial para identificar formas personalizadas de satisfação do consumidor.

O comércio digital ameaça o presencial, tradicional?

Na proporção em que os internautas ganham confiança nos sites de vendas online, essa modalidade de vendas cresce. Mas o comércio físico nunca vai desaparecer.

 

A tendência é que as organizações, principalmente as grandes, tenham lojas físicas e vendas digitais. São oportunidades e conceitos de gestão diferentes e que podem ser complementares.

Além desse aprendizado, o que mais veio na bagagem?

Algumas novidades bem importantes. Lá mesmo, ainda durante a missão, a Fecomércio de Santa Catarina recebeu o certificado de Membro da Câmara de Comércio Brasil América.

 

Nós também estivemos no Consulado do Brasil em Nova Iorque e disso resultou o convite para apresentarmos startups catarinenses para participarem do TechDay, no dia 2 de maio.

O Turismo vai receber mais atenção da entidade?

Na terça-feira (29), junto com o Senac, nós vamos lançar o Observatório do Turismo Catarinense.

 

Fizemos um trabalho inédito no país, envolvendo todas as instâncias de turismo de Santa Catarina e, no ato de lançamento, vamos entregar esse trabalho para a Secretaria de Estado de Turismo.

 

Temos que aproveitar os demais meses do ano de forma que todas as regiões tenham atratividades para receberem visitantes. Santa Catarina é muito mais do que litoral no verão e Serra no inverno.

Considerando esse projeto, foi importante para a Fecomércio a nomeação da Flavia Didomenico como nova presidente da Santur, já que ela vem do Senac. Foi uma indicação de vocês?

Não indicamos ninguém para o governo. A Flavia é uma profissional altamente competente que foi pinçada dos nossos quadros. Agora, ela vai ser uma importante interlocutora para o projeto.

 

O turismo é muito importante para a nossa economia, já responde por 13% do PIB, mas ainda falta muito a ser feito. Temos um grande potencial a ser explorado, pela nossa formação cultural, tradições, gastronomia, clima, vinhos de altitude, queijo serrano.

 

Somos capazes de agradar diferentes gostos e precisamos mostrar isso. São oportunidades de negócios.

 Fecomércio em números

  • 64,2% dos empregos de SC. Quase 1,4 milhão de trabalhadores com massa salarial de R$ 23 bilhões;
  • Mais de 640 mil empresas, que respondem por 51,2% da arrecadação de tributos;
  • 66% de participação PIB/SC;
  • 72 sindicatos de sete diferentes setores;
  • É gestora do Sesc e Senac em Santa Catarina.

Sesc

  • 200 cursos e serviços;
  • Quase 400 mil matrículas (Cartão Sesc) para acessar eventos e serviços;
  • 48 unidades fixas e móveis;
  • 2.807 colaboradores;
  • 21 creches, 21 centros de educação infantil, 13 escolas de ensino fundamental, 4 unidades com Educação de Jovens e Adultos;

Senac

  • Perto de 80% de empregabilidade;
  • Quase  400 cursos oferecidos (até novembro/2018);
  • 48.041 matrículas na educação profissional (até novembro/2018);
  • 30 unidades operativas;
  • 2036 colaboradores;
  • 526 empresas atendidas no atendimento corporativo.

 

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