Foto Arquivo OCP News

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O arroz entrou na pauta de exportações de Santa Catarina e trouxe reflexos diretos e indiretos para produtores da região.

De janeiro a outubro deste ano, os produtores catarinenses já embarcaram 82,7 mil toneladas de arroz para abastecer outros países – a quantidade é 24 vezes maior do que toda exportação do grão em 2017, passando de US$ 2 milhões no ano passado para US$ 24 milhões.

Foram 1,8 milhão de sacas de arroz de 50 quilos enviadas para fora do país, cerca de 200 mil destas oriundas do Norte de Santa Catarina e do Alto Vale.

Nos municípios produtores da região, como Guaramirim e Massaranduba, as exportações cresceram 51,83% e 51,9%, respectivamente, em comparação com o mesmo período do ano passado.

O crescimento indica que os municípios acompanham a alta na exportação no estado, entretanto a presença fiscal da agricultura é pequena e não figura na plataforma de visualização do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Outro fator é que exportações do grão não são necessariamente processadas no domicilio fiscal da produção. Elas estão em sua maioria registradas em Imbituba e São Francisco, onde o processamento das cargas é feito. Imbituba passou de volume nulo de exportações de arroz no ano passado para US$ 12 milhões este ano.

Segundo o presidente da Cooperativa Juriti, Orlando Giovanella, que representa os rizicultores da região Norte, a busca pelo mercado externo foi uma forma de exercer um maior controle sobre a oferta do produto.

"Tínhamos um excedente muito grande de produção, que estava exercendo uma pressão muito grande sobre os preços, e a exportação foi uma maneira de diminuir esta oferta interna e trazer um retorno melhor para o produtor", explica.

Atualmente, a saca de 50 quilos do grão está cotada em um valor médio de R$ 40 no estado e R$ 40,5 a nível nacional. Em outubro, o grão atingiu seu pico, em R$ 43 no país - mas no começo do ano, o cenário estava 'horrível", diz Giovanella.

A opção de exportar grande parte da safra excedente valorizou o grão em 25% ao longo do ano, com início nas exportações em maio.

Abrindo a R$ 36, a saca chegou a cair para R$ 32 em março, mês que registrou um preço médio de R$ 33, o pior desde julho de 2015. "O ano começou muito mal, com meses muito difíceis marcados por preços baixos, mas de julho para frente tivemos uma recuperação", conta.

Safra e clima animam

O presidente ressalta que as expectativas para 2019 são positivas, mas que a alta dos insumos tem trazido preocupações.

"O preço dos fertilizantes aumentou muito este ano, estamos levantando com a Conab [Companhia Nacional de Abastecimento] os custos exatos da produção e a média este ano, o que deve ficar pronto na semana que vem", diz.

Para  2019, a esperança é que a qualidade do produto ajude a alavancar os preços. "A safra deste ano está boa, com um clima favorável e as plantas estão muito bonitas e muito fortes. Esperamos que tenhamos um grão de qualidade, valorizando a safra", explica.

As exportações de arroz já trouxeram um faturamento de US$ 24 milhões para Santa Catarina neste ano. Os principais mercados são Venezuela e África do Sul.  Em todo ano de 2017, o estado arrecadou apenas US$ 2,2 milhões com a exportação de arroz.

Produção é familiar, ressalta Epagri

Um dos destaques do agronegócio catarinense, o arroz é produzido majoritariamente por agricultores familiares.

“Produzimos em áreas menores do que os outros estados, porém com alta produtividade, cultivando variedades desenvolvidas aqui mesmo em Santa Catarina pela Epagri. Com essas características, a produção catarinense de arroz tem uma importância socioeconômica, criando empregos e respeitando o meio ambiente dentro dos princípios da sustentabilidade”, ressalta o secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, Airton Spies.

As estimativas do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) apontam para uma leve redução na área plantada de arroz irrigado em Santa Catarina. Está prevista uma colheita de 1,1 milhão de toneladas em 143,3 mil hectares.

No estado, 99,5% da área destinada ao arroz irrigado na safra 2018/19 já foi semeada e, segundo os relatórios de campo, a área plantada encontra-se em condição boa, sem apresentar problemas que resultem em redução da produtividade ou perdas.

O estado é o segundo maior produtor nacional de arroz e conta com a maior produtividade proporcional à área plantada do país.

“Os produtores adotam tecnologia de ponta em suas lavouras. Além disso, Santa Catarina contribui com o desenvolvimento da rizicultura através das pesquisas e assistência técnica da Epagri e da parceria com as cooperativas e indústrias”, destaca Spies.

 

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