A pandemia e a crise econômica elevou o índice de extrema pobreza na América Latina em 2020 aos níveis que tinham no século passado, segundo as conclusões de um estudo conduzido pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe).

As estimativas da comissão são de que 78 milhões de pessoas na região não dispõem de recursos que permitam satisfazer suas necessidades básicas de alimentação, um aumento de oito milhões de pessoas na comparação com 2019.

O número representa Isso representa 12,5% da população, ou uma em cada oito. Os números são similares aos registrados na virada do século - e os piores em 20 anos.

"Os efeitos da pandemia do coronavírus se espalharam por todas as áreas da vida humana, alterando a forma como interagimos, paralisando economias e gerando mudanças profundas nas sociedades", apontou o relatório, citando uma queda de 7,7% no PIB da região no ano passado.

As medidas de seguridade social foram essenciais para evitar que os niveis piorassem ainda mais: segundo a organização ligada às Nações Unidas, o índice de pobreza extrema poderia ter chegado a 15,8% sem as medidas de proteção social, como auxílios emergenciais, que beneficiaram quase 50% da população da América Latina.

O índice de pobreza geral – condição em que a renda de uma pessoa é menor que o valor de uma cesta básica com itens de alimentação, limpeza e higiene – também aumentou no ano passado.

Agora são aproximadamente 209 milhões de pessoas - pouco mais de um terço da população da região, de 654 milhões de habitantes - vivendo nesta situação.

A população em condições de pobreza aumentou em 22 milhões de pessoas em 2019.

A Cepal defende que seja necessário retomar ou continuar com programas de transferências de recursos para os mais necessitados e que, no longo prazo, os governos da região instituam uma renda básica universal e apostem "em sistemas de proteção social universais, integrais e sustentáveis".