O brasileiro está devendo menos do que no ano passado, mas o número de devedores cresceu. É o que indica pesquisa divulgada pelo SPC Brasil e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) nesta semana. Ao todo, são 59,9 milhões de brasileiros com contas a pagar ou nomes negativados, o que representa 39,5% da população adulta. O volume de dívidas, por sua vez, teve queda de 3,79% em relação ao ano passado e 0,19% com relação a outubro. Dos 8,3 milhões de devedores da região Sul do país, 111.848 mil estão na região de Jaraguá do Sul, com 228.141 registros ativos – 2,03 dívidas por devedor, proporção menor do que a da região Sul (2,19) e superior à do país (1,93).   Na região, 21,67% dos CPFs consultados pelo SPC têm restrições, uma proporção consideravelmente menor do que no resto da região Sul, que é de 36,95% de devedores. O percentual teve leve queda desde outubro – caindo de 21,83% - após escalar com relação a setembro, quando era de 20,78%. O indicador tem subido desde janeiro, quando abriu o ano em 20,05%. De outubro para novembro, houve queda de 20,81% nos novos registros: 3.056 registros em outubro contra 2.379 em novembro. Comparando com 2016, houve uma queda de 33,32% no número de dívidas firmadas, 2.379 contra 3.004. Segundo o diretor do SPC de Jaraguá do Sul, Martinho José Lehnert, não há nenhuma campanha específica para regularização do crédito, mas a entidade oferece consulta gratuita da situação de crédito. Além da correria com as compras de fim de ano, a expectativa do comércio se concentra também quitação de débitos antigos para quem quiser fazer novas compras. Segundo o SPC, houve um processo de diminuição na tomada de dívidas devido à crise financeira, com aumento de custos por parte dos bancos e agências financeiras enquanto o consumidor evitava fazer uso do recurso. Com os sinais de recuperação, o consumidor tem pagado uma ou outra dívida – mas não consegue sair da condição de inadimplência.   Mais endividados, mas com menos dívidas No país, o número de 59,9 milhões de devedores variou pouco com relação ao ano passado e ao mês passado, crescendo 0,23% e 0,15% em relação aos respectivos períodos. Essa variação é inferior à variação da população entre 2016 e 2017 – de 0,77%. O volume de dívidas, por sua vez, teve queda de 3,79% em relação ao ano passado e 0,19% com relação a outubro. Na região Sul, o número de inadimplentes cresceu 0,10% com relação ao mês de outubro e caiu 2,55% em comparação com novembro passado. O número de dívidas em atraso na região teve queda de 5,87% em relação ao ano passado. São 8,30 milhões de inadimplentes na região – 36,95% da população adulta. O comércio foi quem mais sentiu a redução no volume de dívidas, com queda de 6,44% entre 2016 e 2017 – no período, o setor teve crescimento de 0,3% no volume de vendas, segundo pesquisa do IBGE, embora tenha recuado 0,9% entre setembro e outubro. Segundo o órgão, parte da queda pode ter sido em decorrência da espera por promoções na Black Friday. O único setor onde houve aumento no volume das dívidas foi o de comunicação, com crescimento de 4%.  O setor com os maiores endividados, no entanto, é o bancário: 48,56% do volume de dívidas no país é com bancos e instituições financeiras. Uma pesquisa do Instituto Proteste, em novembro de 2016, indicou que o Brasil tem a maior taxa de juros dentre os países de América Latina: 436% ao ano em média.   LEIA TAMBÉM:Queda na inadimplência pode aumentar venda no comércio no fim de ano *Reportagem de Pedro Henrique Leal