O impacto da pandemia do Coronavírus Covid-19 sobre as exportações jaraguaenses segue grave: o mês de maio registrou uma queda de 13,8% nas exportações do mês, que somaram US$ 44 milhões, e nas do ano, somando US$ 208,1 milhões.

A tendência negativa é inferior a registrada em abril - o quarto mês do ano registrou uma queda de US$ 22 milhões nas exportações, 37,9% menos do que o registrado em maio de 2019; foram US$ 35,6 milhões em exportações em abril deste ano, contra US$ 57,6 milhões em abril passado.

A uma primeira vista, os números podem sugerir que a economia jaraguaense vai mal - a queda é quase o dobro da nacional no mesmo período, com perda de 7,2% nas exportações brasileiras de janeiro a maio deste ano.

Mas tal percepção não leva em conta o perfil único da cidade catarinense, uma das principais exportadoras de bens de capital do país e a principal do estado, com cerca de 90% de suas exportações compostas por maquinário industrial e de infraestrutura, particularmente por motores e geradores elétricos, responsáveis por 69% das exportações municipais.

O setor de bens de capital tem registrado uma das maiores quedas como resultado da pandemia: em maio, as exportações do setor registraram queda nacional de 39,9%, enquanto o acumulado do ano soma uma queda de 10,2%, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas.

Não sem motivo: com consumo e produção em queda mundialmente - a China, maior mercado consumidor do planeta, registrou queda de 2,8% no consumo desde o início do ano - investimentos industriais entram em queda: sem consumo, campos fabris não são ampliados - e bens de capital deixam de ser prioridade.

O país asiático registrou também uma queda de 6,4% nos investimentos de capital fixo - leia-se, em maquinário, veículos, equipamentos e parques fabris, entre outros e 6,3% nos investimentos de infraestrutura.

Saldo da balança segue positivo

No mesmo período, o principal cliente de Jaraguá do Sul, os EUA, registram uma economia em declínio vertiginoso: o FED, o Banco Central dos EUA, projetam para o ano uma queda de 6,5% no Produto Interno Bruto dos EUA. O país é responsável por um quinto das compras de produtos jaraguaenses no exterior.

"E o que isso tem a ver com Jaraguá do Sul?", pergunta o leitor.

Se trata de uma relação simples: como cidade, Jaraguá do Sul se destaca pela produção de bens de capital - o tal capital fixo, em queda global - e com uma economia fria mundialmente, sem motivos para grandes investimentos se o consumo está em queda com a pandemia, o município é um dos primeiros a demonstrar o impacto.

Este paradigma se reflete nas quedas setoriais específicas: enquanto bens de consumo e insumos como vestuário e borrachas tem quedas menores, ou até registram aumento no período - em virtude de compensações em linhas de fornecimento cortadas - o setor de bens de capital registra quedas próximas ou acima da média municipal.

Os motores e geradores elétricos tiveram queda de 12,8% no período. As partes destinadas a eles, 17,9%. As máquinas de embalar, rotular ou encapsular embalagens caíram 42,5%.

O lado positivo disso? Jaraguá tende a ser um dos mais beneficiados quando vier a retomada de investimentos no pós-crise.

E apesar da queda nas exportações, nem tudo no cenário da balança jaraguaense é negativo: o saldo segue positivo em US$ 57,92 milhões.

 

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