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Redução da jornada deve gerar alta de 6,2% nos preços afirma estudo da CNI

Foto: Arquivo/OCP News

Por: Pedro Leal

01/04/2026 - 15:04 - Atualizada em: 01/04/2026 - 15:37

Os preços para o consumidor terão alta de 6,2% em média caso o limite semanal de horas de trabalho seja reduzido de 44 para 40 horas semanais, impactando no aumento dos preços de compras em supermercado e de roupas, por exemplo. É o que mostra levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quarta-feira (1º).

Os dados indicam pressão generalizada sobre os preços em diferentes segmentos da economia. As compras em supermercados podem ficar 5,7% mais caras, com os preços de produtos agropecuários subindo em torno de 4% e os de produtos industrializados podendo registrar alta de 6% em média – no caso de roupas e calçados, por exemplo, a alta de preços pode alcançar 6,6%. No setor de serviços, o reajuste pode alcançar 6,5%, afetando, por exemplo, preços de manicure, cabelereiro e pintura residencial. A conta de internet pode apresentar elevação ainda mais expressiva, de até 7,2%.

A CNI fez uma simulação dos impactos na economia em um cenário em que a redução das horas trabalhadas com o limite semanal seria compensada pela contratação de novos empregados. A projeção estima que as horas trabalhadas não serão integralmente recompostas, ao mesmo tempo em que o custo da hora trabalhada aumentará, gerando elevação de preços ao longo de toda a cadeia produtiva.

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Os números mostram, ainda, que a indústria será o segmento mais atingido em termos de diminuição de horas trabalhadas caso o Congresso Nacional aprove a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, com queda de 4,34% das horas trabalhadas. Na sequência, aparecem o comércio, com redução de 4,03%; serviços (-2,44%); construção (-2,04%); e agropecuária (-1,70%).

“A consequência da elevação do custo do trabalho será o aumento generalizado dos preços da Economia e afetará a vida de todos os brasileiros. As empresas não enfrentarão apenas o aumento do custo direto com mão de obra, mas os insumos também deverão ter seus preços reajustados, considerando que a redução do limite das horas trabalhadas afeta toda a cadeia produtiva”, alerta o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Debate precisa ser mais aprofundado

A CNI acompanha os projetos no Legislativo que tratam da redução da jornada de trabalho. Segundo Alban, o debate sobre o tema com a sociedade e com os setores da economia precisa ser feito de forma mais aprofundada e transparente, depois das eleições para que não haja interferência do momento político nessa importante discussão.

“A discussão da escala é 6×1 é legítima e necessária, mas qualquer decisão dessa dimensão deve levar em conta a avaliação de impacto e seus efeitos econômicos. A produtividade no Brasil ainda está muito aquém de países semelhantes e há escassez de mão de obra. Por isso, ainda não é hora de reduzir a escala”, destaca o presidente da CNI.

Para o presidente da CNI, além da impertinência de uma discussão tão importante em ano eleitoral, ela se mostra inoportuna no momento em que a economia global enfrenta o aumento da inflação ocasionado pela alta nos preços do petróleo e derivados, decorrente dos conflitos no Oriente Médio. Alban observa que, mesmo se a guerra do Irã terminasse hoje, seria impossível administrar uma volta aos custos anteriores no curto e médio prazo. Por isso, aponta como incoerência que o governo trabalhe pela redução da jornada de trabalho, que impactará em inflação, enquanto busca recursos para a subvenção do custo dos combustíveis a fim de evitar alta de preços em toda a cadeia produtiva.

Dados mostram aumentos dos gastos públicos
Levantamento divulgado no começo de março pela CNI já havia mostrado que os gastos com trabalhadores do setor público poderiam aumentar em até R$ 4 bilhões por ano, dependendo da estratégia adotada para recomposição das horas trabalhadas. Segundo a análise da CNI, o aumento decorreria da necessidade de pagamento de horas extras ou contratação adicional para manutenção da carga horária.

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Pedro Leal

Analista de mercado e mestre em jornalismo (universidades de Swansea, País de Gales, e Aarhus, Dinamarca).