A economia promete ser um dos grandes desafios para o próximo presidente da república e para os próximos governadores dos Estados da União.

Com o país saindo de um ciclo de recessão e uma grave crise econômica que minou a economia nacional nos últimos anos, o Brasil tem muito a fazer para retomar o crescimento de forma sustentável - e muitos problemas no caminho.

O atual cenário econômico conta com contas públicas com rombos bilionários sucessivos, baixo ritmo de crescimento da economia, as taxas de desemprego ainda altas e cotação elevada do dólar entre os dados negativos. O país também sofre com obras de infraestrutura atrasadas e custos elevados com a matriz logística.

Por outro lado, o país tem bons números no setor externo, além de poder contar com os juros básicos mais baixos da história e a inflação dentro da meta - fatores que se encontram pautados em um equilíbrio delicado e tênue, que pode se perder dependendo das medidas da próxima gestão.

Desafios do governo federal

Rombo fiscal

As contas do governo vão registrar, em 2018, o quinto ano consecutivo de rombo. A meta fiscal para este ano é de um déficit primário (despesas maiores do que receitas, sem contar juros da dívida pública) de até R$ 159 bilhões.

Visando conter o problema, o presidente Michel Temer conseguiu a aprovação de um teto de gastos públicos limitado pela inflação.

Com os gastos obrigatórios, como folha de pagamento e previdência, crescendo acima da inflação, o próximo presidente vai ter encontrar meios de cortar gastos para manter os investimentos e serviços públicos - ou estagnar.

Regra de Ouro

Ligado diretamente ao primeiro desafio, o próximo governo também terá de lidar com desequilíbrios da chamada "regra de ouro" - que impede a emissão de títulos da dívida pública para financiar gastos correntes (como pagamento de salário de servidores, ou despesas do dia a dia dos ministérios).

Para 2019, o desequilíbrio da regra de ouro (patamar que a dívida pública subiria acima dos investimentos) foi estimado recentemente pelo Tesouro Nacional em R$ 94,6 bilhões.

Para os próximos anos, o patamar deve seguir elevado, e a gestão Temer tentou flexibilizar a regra para permitir a previsão de despesas acima dos recursos - e a contração de dívida decorrente - condicionada a autorização prévia do Congresso Nacional.

Crescimento do PIB

Outro problema a ser encarado pela próxima gestão é a retomada do crescimento econômico. O Produto Interno Bruto (PIB) do país acumulou queda de 7% entre 2015 e 2016, crescendo apenas 1% em 2017.

Os prognósticos mais otimistas sugerem que a retomada do PIB pré-crise só aconteceria em 2021 - perto do fim do mandato do próximo presidente - e as projeções seguem em queda: o crescimento projetado para 2018 caiu de 3%, em janeiro, para atuais 1,35%. Para 2019 e 2020, a projeção caiu de 4% para 2,5%.

Desemprego

A adoção de medidas que resultem na diminuição do desemprego será um dos fatores que vai pesar para o próximo chefe de Estado.

Segundo o IBGE, o Brasil tem 12,7 milhões de pessoas desocupadas - mais do que toda a população da cidade de São Paulo. Um levantamento feito pela Agência Brasil a partir de dados do IBGE (desde o 2º trimestre de 2012) mostra que, em seis anos, a evolução do saldo de pessoas com 14 anos ou mais ocupadas foi um crescimento de apenas 1,88%.

Dos doze setores da economia, cinco tiveram queda no número de pessoas ocupadas - entre eles a agricultura e a indústria de transformação. Mais de 65% dos brasileiros se encontram com medo de perder o emprego, segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria.

Dólar, juros e inflação:

O último grande desafio para a área econômica na próxima gestão são  os indicadores diretos da economia: a taxa de inflação, atualmente sob controle devido aos juros baixos, em baixa histórica de 6,5% -  ambos em situação delicada ante aos outros fatores - e a cotação do dólar, que no último mês atingiu alta histórica de R$ 4,1919.

A cotação da moeda voltou a cair durante a semana, mas ainda opera em valores elevados, prejudicando a posição do país no mercado internacional e aumentando os custos de importação.

Desafios de Santa Catarina

Assim como o país, Santa Catarina tem entre os seus maiores desafios a saúde fiscal do poder público: sem reservas, o Estado projeta para o ano um déficit de R$ 1,5 bilhão nas contas públicas para 2018 e perto dos R$ 3 bilhões para 2019, em uma bola de neve deficitária que mina a capacidade de realizar obras e ampliar serviços.

A gestão está deficitária desde o início da crise, em 2015, mas 2018 marcou o ponto em que faltou recurso em caixa para cobrir o ônus.

Além do déficit fiscal, Santa Catarina tem enfrentado há anos um problema de infraestrutura que compartilha com o resto do país. No Estado, os problemas mais cruciais do setor dizem respeito às rodovias federais BR-280, BR-101 e BR-282.

Ligada ao Porto de São Francisco, as obras da primeira estão prometidas há uma década, e o fluxo na rodovia tem representado um gargalo preocupante tanto na região de Jaraguá do Sul quanto no acesso ao Porto de São Francisco, ponto essencial para o escoamento de mercadorias para o exterior.

Um estudo da consultoria Oliver Wyman mostra que deficiência de infraestrutura básica no país é tão grave que, mesmo que se investisse o dobro do volume de recursos destinados a esses setores nos últimos 15 anos, seriam necessários mais 25 anos para que os serviços tivessem um 'mínimo de qualidade'.

O levantamento compara o Brasil com seus vizinhos na América Latina e com seus pares emergentes, como Índia e China. Este fator aumenta o chamado "Custo Brasil" e diminui a competitividade com empresas do exterior.

 

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