Queda no consumo agrava situação do setor têxtil

Foto: Eduardo Montecino/Arquivo OCP Foto: Eduardo Montecino/Arquivo OCP

Economia

Por: OCP News Jaraguá do Sul

sexta-feira, 04:00 - 24/06/2016

OCP News Jaraguá do Sul
A queda do consumo em todo o País tem agravado a situação do setor têxtil, apontam especialistas. Desde o ano passado, o setor figura entre os principais responsáveis pela redução nos postos de trabalho na região. Segundo os dados mais recentes do Caged, em abril deste ano foram fechadas 322 vagas de emprego no setor em Jaraguá do Sul. No acumulado entre janeiro e abril, o ano de 2016 teve o pior desempenho dos últimos cinco anos, com um saldo positivo de apenas 37 vagas. O número representa uma queda de 90,2% em relação a 2015, quando foram criadas 380 vagas no setor neste mesmo período. De acordo com o economista e professor da Católica SC, Jamis Antonio Piazza, o mau desempenho do setor é reflexo direto da perda de poder aquisitivo da população brasileira. “Quando vivemos este cenário, há uma tendência muito grande de reduzir os custos em determinados produtos considerados supérfluos, como vestuário, lazer e bens duráveis. Exista também uma instabilidade muito grande que faz o consumidor postergar o consumo até que haja alguma definição mais clara”, explica o economista. Esta semana, o Grupo Malwee, um dos mais representativos na região, demitiu cerca de 250 pessoas e apresentou proposta de redução de jornada de trabalho, aumentando as preocupações com o setor. Em nota, a empresa informou que a medida foi uma readequação à atual demanda do mercado e que “o ambiente econômico de fraca atividade e a perda de poder aquisitivo dos brasileiros, tem impactado negativamente a economia brasileira como um todo e o mercado de moda e vestuário em particular”. Agora, a empresa dialoga com o Sindicado dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário de Jaraguá do Sul e Região (STIVestuário). A proposta apresentada é de redução de 4,77% do salário e de 8% na jornada. Segundo o presidente, Gildo Antônio Alves, a maior preocupação é resguardar o emprego e os direitos dos trabalhadores. “Eu vejo que diminuir salário de trabalhador não é o correto, se pensarmos que o salário já não é compatível com as necessidades destes trabalhadores. Mas muitas vezes é preciso avaliar a manutenção do emprego. Lamentavelmente que paga a conta pela situação atual é o trabalhador”, afirma Alves. O diretor de desenvolvimento econômico do Instituto Jourdan, Márcio da Silveira, destaca que o alto índice de demissões não significa que as empresas têxteis do município deixaram de ser sólidas, e sim que elas buscam alternativas para se manterem lucrativas e financeiramente saudáveis. “Depois de enfrentarem inúmeras adequações, muitas vezes esta é a última medida possível. É um movimento necessário para garantir que quando a adversidade passar a empresa continuará firme”, salienta.
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