A falta de chuva registrada em Santa Catarina no terceiro trimestre deste ano deve resultar em uma queda na produção da banana nos próximos meses. Com a redução da oferta, a estimativa é de que o preço do fruto fique mais elevado a partir de dezembro. Inicialmente, a mudança não deve ter impacto nos consumidores, mas, segundo a Epagri, há chances de que a comercialização do fruto volte a sofrer impactos no início do ano que vem. De acordo com o bananicultor Conrado Urbano Mueller, de Corupá, a queda na colheita é reflexo da falta de chuvas durante o período de floração das plantas, o que impediu o desenvolvimento dos cachos. No caso dos produtores, a variação no volume de produção é vista como positiva, já que ajuda a ampliar a margem de ganho no campo. “Neste momento o clima mais fresco ajuda a não acelerar muito a maturação, aliviando um pouco a saída dos cachos e melhorando o preço para o produtor”, avalia Mueller. Como a oscilação no preço é pequena, variando entre 10 e 20 centavos, a mudança acaba sendo absorvida pelos chamados “atravessadores” e não chega a ser sentida nas prateleiras dos supermercados. Mas este cenário pode mudar em breve caso o clima não colabore. Segundo o engenheiro agrônomo da Epagri de Corupá, George Livramento, a previsão é de que novembro seja um mês com chuvas abaixo da média e calor acima da média no Estado, o que deve afetar, mais uma vez, a produção de banana na região. “Apesar das chuvas de outubro, talvez não seja o suficiente para compensar a escassez dos meses anteriores. Se a previsão acertar como acertou até agora, em novembro podemos ter novo problema de tempo seco e mais uma vez afetar a floração da banana”, explica o engenheiro. Caso isso aconteça, é possível que o consumidor veja o preço da banana subir a partir de março do ano que vem, época em que o consumo da fruta tende a crescer devido ao fim das férias e do carnaval. “Pequenas variações na produção não chegam a afetar o consumidor porque a cadeia produtiva é muito bem estruturada e preparada para lidar com isso. Mas quando esse cenário se repete há mais chances de os preços serem afetados na ponta da cadeia”, pontua Livramento. Em outubro do ano passado, o frio intenso no Sul e a estiagem no Norte do País levaram a uma quebra da safra e um aumento de quase 30% no preço da banana em todo o Brasil. Para se ter uma ideia, na época a caixa da banana chegou a ser comercializada por R$ 36, uma diferença de até 70% frente aos valores praticados este ano. Atualmente, o preço da caixa varia entre R$ 10 e R$ 15 no Estado. Mudança no clima não deve afetar principais culturas da região Uma boa notícia é de que o frio atípico observado nos últimos dias não deve ter grandes impactos na produção das principais culturas da região. Segundo o engenheiro agrônomo da Epagri, Hector Silvio Haverroth, tanto a banana quanto a pupunha podem experimentar algum atraso no ciclo de desenvolvimento da planta, mas nada a ponto de prejudicar o volume da safra. “Este atraso é natural, o alongamento do ciclo acontece muitas vezes. Como a mudança do clima é passageira e a previsão é de logo retornar ao normal, não deve gerar prejuízos”, explica ele. No caso do arroz, que está na fase de controle de pestes, a mudança no clima pode tornar o trabalho do produtor mais demorado, mas também não terá influência sobre o crescimento do cultivo. De acordo com o agricultor Everaldo Sprung, de Guaramirim, os produtores estão otimistas em relação a próxima safra e esperam que a partir da semana que vem o clima volte a colaborar trazendo sol e calor para a região. “Este clima seria prejudicial se fosse na época do afloramento do arroz, que acontece a partir de novembro, por isso esperamos que melhore. Até agora o clima ajudou bastante, o arroz está bonito e, apesar de ainda ser cedo, esperamos uma safra de normal para boa”, diz ele. A perspectiva traz algum ânimo para o produtor, que precisou lidar com quedas constantes no preço do arroz este ano. Nos últimos meses, a valor da saca passou de R$ 45 para R$ 40 na região, mas, conforme Sprung, pode chegar a R$ 36 em vendas diretas com o produtor. No mesmo período do passado, o preço da saca chegou a custar R$ 55. Na semana passada, a Epagri/Ciram emitiu um alerta para quedas na produção do arroz este ano no Brasil. O cenário se deve, em boa parte, devido às chuvas fortes e temporais com queda de granizo registradas no Rio Grande do Sul, o que paralisou o plantio do arroz no Estado. Com isso, a produção nacional pode sofrer redução superior a 10%, estima a entidade.