Determinadas, inovadoras e visionárias, as mulheres se tornaram verdadeiras agentes de mudança no mundo dos negócios nos últimos anos. Superando as adversidades, elas conquistaram espaço e deixaram de ser vistas como meras coadjuvantes, atuando, mais do que nunca, como protagonistas dos seus próprios sonhos. Em Jaraguá do Sul, um projeto ousado comandado por sete mulheres empreendedoras tem quebrado paradigmas e mostrado que por meio da união é possível alcançar patamares nunca antes imaginados – e, de quebra, servir de inspiração para quem ainda não encontrou a coragem necessária para ir além. Quando a ideia surgiu, em setembro do ano passado, a proposta era simples: desenvolver um espaço de coworking capaz de estimular a criatividade, a colaboração e a valorização cultural. “Todas tinham o mesmo interesse, criar um espaço que fosse inspirador e aproximasse as pessoas”, conta a designer gráfica Isabela Schreiber, de 27 anos. Mas o espaço conseguiu ir muito além do imaginado. Batizada de Alcateia Colab, a casa se transformou em um local de experimentação e diversidade, apostando na arte e no consumo consciente para oferecer experiências cada vez mais singulares. “É meio que um organismo vivo, temos nossas ambições, mas as coisas chegam espontaneamente também ajudam a nos mostrar um propósito”, resume Lara Nunes Bassi, de 29 anos, uma das idealizadoras do projeto. Hoje, o local é palco de palestras, shows, encontros profissionais, oficinas, cafés, feiras, eventos gastronômicos e tudo que a imaginação permitir. Mais do que oferecer novas possibilidades de lazer e troca, o espaço é a prova viva de que boas ideias dão bons resultados quando se está disposto a buscar novos caminhos. “O que nos motivou acima de tudo foi quebrar esse ciclo vicioso de que o que é coletivo não funciona e, mais ainda, de que mulheres trabalhando juntas é algo que não dá certo”, afirma a fotógrafa Fernanda Mattos, de 28 anos. “Temos perfis e profissões diferentes, mas mesmo assim estamos criando juntas. É uma visão totalmente nova e que está dando certo”, defende ela. AGREGANDO COM AS DIFERENÇAS
Conciliar tantas visões de mundo nem sempre é simples e estar disposto a fazer concessões faz parte do trabalho coletivo. “É óbvio que há momentos de discordância, mas isso nos deixou mais maduras e mais unidas também. A conquista de uma faz todas vibrarem”, diz a administradora Rejane Nunes, de 49 anos, ressaltando que é na união que o grupo ganha a força necessária para enfrentar os desafios de empreender. “As mulheres precisam aprender a se unir, se ajudar, quebrar esta barreira da competição, desenvolver a sororidade. Se você tem um sonho, com certeza ele está no coração de outras mulheres e se aproximar delas aumenta estas chances, nem que seja para oferecer uma rede de apoio”, acredita Rejane. Segundo uma pesquisa do Sebrae, nos últimos três anos 51,5% dos negócios abertos no Brasil foram criados por mulheres. Outro dado mostra que nos últimos quatorze anos o número de empresárias subiu 34% no país. Para estimular o surgimento de novos projetos, a Alcateia tem entre seus principais objetivos o intuito de ser um espaço de suporte aos artistas e pequenos empreendedores que estão começando suas trajetórias. “Queremos ao nosso lado pessoas que estão no meio colaborativo, que colocam a mão na massa e defendem o consumo consciente. Nosso papel é dar apoio a quem pensa como nós”, explica a cozinheira e empresária de moda Tuany Michel, 27 anos. “É preciso ter em mente que empreender é sair da zona de conforto e isso não é nada fácil. Mas ao mesmo é algo maravilhoso, porque você vê do que é capaz”, aconselha a confeiteira Aline Gonzaga, de 26 anos, que assim como a publicitária Larissa Neuman, de 26 anos (hoje morando em Dubai) largou tudo para correr atrás do sonho do negócio próprio. “Nunca saberemos o retorno se não tentarmos, e se não der certo, pelo menos você tentou. Há algo de positivo no ‘não’ também, se não deu certo, sem dúvida você aprendeu muito. De uma forma ou de outra você cresce”, complementa Fernanda.