Considerado um dos setores mais importantes da indústria catarinense, o segmento alimentício é atualmente responsável por 36% das exportações realizadas no Estado, movimentando mais de US$ 1,5 milhão no ano passado. O setor também é a atividade que mais ganhou participação na indústria estadual nos últimos anos, aumentando dois pontos percentuais entre 2007 e 2013. Tendo em vista este cenário, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) promove, nesta quinta e sexta-feira, um workshop com foco na internacionalização de empresas de micro e pequeno portes dos setores de alimentos e bebidas em Jaraguá do Sul. O objetivo é dar subsídios para que estas empresas possam explorar o mercado externo e aproveitar os benefícios de atuar no mercado internacional. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), as micro e pequenas empresas são hoje responsáveis por 40% dos empregos industriais do Estado. De acordo com a coordenadora do Centro Internacional de Negócios da Fiesc, Tatiani Leal, o evento tem como foco oferecer um atendimento direcionado às empresas de pequeno porte que desejam iniciar ou aprimorar suas exportações e faz parte de um convênio nacional entre o CNI e o Sebrae. “O mercado de alimentos é forte em Santa Catarina, mas com foco no agronegócio, que abrange empresas de maior porte. Por isso, a necessidade de fortalecer a atuação das empresas menores, que possuem grande potencial”, explica a coordenadora da Fiesc. Até agora, o encontro já recebeu inscrições de empresas de diversas cidades da região Norte de SC, como Jaraguá do Sul, Massaranduba, Schroeder, Itajaí e Balneário Camboriú, e terá também a presença de empresas de outros municípios, como Curitiba. “São empresas de segmentos muito diversificados, como achocolatados, preparações alimentícias, sucos, massas, produtos congelados. É um mercado muito vasto”, comenta Tatiani. Atuação no exterior agrega valor ao produto Mais do que representar uma nova fonte de renda para o negócio, o comércio exterior também ajuda a abrir portas no mercado interno. Segundo Tatiani, as altas exigências para a comercialização de itens em outros mercados ajuda a tornar os produtos mais atrativo para o consumidor interno, que tende a valorizar itens de valor internacional. “Os benefícios vão muito além da compra e venda. Atuar no comércio exterior permite às pequenas empresas adequarem seus produtos para o mercado interno, aumentar sua visibilidade e com isso se tornarem mais competitivas. Conquistando mais espaço, as empresas conseguem ainda atrair investidores e potencializar parcerias, impulsionando seu crescimento”, analisa a coordenadora da Fiesc. “Além disso, quem vende para o exterior consegue adquirir matéria prima com redução de custo, devido aos incentivos fiscais oferecidos no Brasil”, contabiliza. O maior empecilho para os avanços no mercado internacional, porém, ainda são questões ligadas à gestão – conforme Tatiani, a falta de conhecimento e entendimento técnico sobre o tema é o maior limitador para empresas de pequeno porte. “E há ainda a questão dos custos envolvidos, que costumam ser altos para estes negócios. Por isso, quanto mais programas de incentivo e ações gratuitas puderem ser oferecidas, melhor para a economia catarinense”, destaca. Setores de tecnologia, alimentos e têxtil têm grande potencial Segundo o vice-presidente da Fiesc para o Vale do Itapocu, Célio Bayer, a América Latina é um dos mercados de maior potencial para as empresas catarinenses que desejam exportar seus produtos. Isso porque fatores como legislação e proximidade geográfica facilitam a exportação para estes mercados, mais acessíveis e abertos aos pequenos negócios. “Toda a empresa que quer exportar precisa antes de tudo conhecer profundamente o perfil cultural do país de destino”, salienta Bayer. “Mais do que uma tendência, a exportação nos pequenos negócios é uma necessidade para se manter competitivo. Tanto é que no parâmetro geral de 2015, as micro e pequenas empresas tiveram um crescimento mais representativo do que as médias e grandes em volume de exportação”, afirma. Segundo Tatiani, atualmente existem diversos setores com alto potencial para exportações em Santa Catarina. “O mercado de tecnologia cresce muito, principalmente de software, e tem muito espaço para avançar. Temos a parte do setor moveleiro, no qual somos bastante competitivos, e o setor têxtil, especialmente na parte de fast fashion”, enumera. Bayer destaca também o setor metalmecânico, que apesar de mais concorrido, representa grande potencial para Jaraguá do Sul. Evento aborda estratégias e atividades práticas O evento acontece no Centro Empresarial (Cejas), das 8h30 às 17h30, e recebe o apoio da CNI e do Sebrae. A programação é dividida em duas etapas: a primeira delas, realizada no dia 27, irá abordar temas básicos e conceitos técnicos relacionados ao comércio exterior. Já no segundo dia do evento, será feita uma seleção de até dez empresas, que participarão de uma oficina com atividades práticas e orientação individual para o desenvolvimento de um plano de internacionalização. O workshop será ministrado pelo consultor Luiz Roberto Oliveira, que atua há 15 anos com comércio exterior e possui experiência em produção, logística internacional, planejamento estratégico e rotinas operacionais e administrativas da área; e pela consultora Deise Bastos, com mais de uma década de atuação com comércio internacional e aduaneiro, com vasto conhecimento sobre a legislação e os trâmites burocráticos vinculados ao assunto. As inscrições para o evento são gratuitas e o número de vagas é limitado. As inscrições podem ser feitas por meio do site da Fiesc, por meio da aba “agenda”. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (48) 3231-4665.