O agricultor Alfredo Möglich, 59 anos, do bairro Guamiranga, é um dos dois maiores produtores de palmeira real de Guaramirim, município localizado no Norte catarinense, e quer ampliar o fornecimento do produto para a agroindústria. Ele é um dos 45 contemplados por um programa municipal que disponibiliza recursos para a compra de adubo no plantio das mudas. Dos cem hectares de terra que a família dispõe, 70% é direcionado ao plantio desse tipo de palmácea, 20% ao arroz e 10% à piscicultura.  
Agricultor Alfredo Möglich é um dos produtores que aposta na cultura | Foto Eduardo Montecino/OCP
  Ao contrário da maioria, que se dedica à rizicultura, hoje o carro-chefe dele é a palmeira real. São 1,2 milhão de covas de palmeira (até três plantas em cada uma), que resultam em aproximadamente 7.500 cabeças de palmito por semana e correspondem a duas cargas, destinadas à indústria de conservas, em Ilhota. Cada cabeça é vendida em média por R$ 2, com 30% de lucro. “Ano que vem, quero passar para três cargas por semana”, afirma, confiante.  Alfredo, que foi um dos pioneiros a investir no setor, em 1995. “Na época, demorei quatro anos para colher”, relembra. Hoje, além da família, emprega cerca de 10 funcionários nessa atividade. Alfredo garante estar satisfeito com o incentivo à atividade, que disponibiliza capacitação, acompanhamento e assistência técnica. “A gente aqui não para de plantar”, assegura Möglich, sorrindo. “O importante é a persistência na atividade, e hoje ele tem grande experiência”, ressalta o técnico agrícola Júlio César Gomes.  
Na propriedade de Möglich, hoje o carro-chefe é a palmeira real, que corresponde a 70% da produção da família | Foto Eduardo Montecino/OCP
  Recurso de R$ 150 mil contempla 45 produtores O programa tinha limite de até 80 famílias para serem contempladas, mas apenas 45 se inscreveram. É o que atesta o secretário municipal de Agricultura, Jorge Feldmann. Segundo ele, o município recebeu recurso de R$ 150 mil de fundo perdido da deputada federal catarinense Geovania de Sá (PSDB) e do ex-vereador tucano Lino Venturi. O convênio foi formado com o Ministério da Agricultura e a aprovação para implantação ocorreu em novembro de 2016. Há três meses a verba foi destinada aos agricultores, selecionados por meio de chamamento público. Antes de iniciar, o projeto foi adaptado e cada produtor pode utilizar meio hectare. A contrapartida da Prefeitura prevê análise do solo, calagem (aplicação de calcário) e assistência técnica. Pelo fato do programa não ter alcançado os 80 beneficiários previstos em um ano, a Prefeitura pretende repetir o convênio por mais um ano junto aos produtores que já estão sendo beneficiados. De acordo com o secretário Jorge, em torno de 200 produtores rurais somam 400 hectares de palmáceas, em que 250 hectares são de palmeira real e 150 hectares estão divididos entre pupunha e palmeira imperial. “Temos dois produtores com mais de um milhão de pés”, no Guamiranga e Quati”, revela. “A maioria ainda está com produção informalizada, nem tudo é registrado”, constata. Ainda segundo Feldmann, hoje a produção rural corresponde a 2% da arrecadação do município. A receita líquida média de Guaramirim é R$ 9,33 milhões mensais sobre tudo o que é arrecadado, atesta o secretário municipal de Administração e Finanças, Jair Tomelin. Da movimentação econômica, 70% dos recursos é proveniente da indústria, seguido do comércio, serviços e agropecuária.