Petrobras perde mais de R$ 100 bilhões em valor de mercado

Em janeiro inicia a implantação da solução na Petrobrás | Foto Divulgação Em janeiro inicia a implantação da solução na Petrobrás | Foto Divulgação

Economia

Por: Pedro Leal

terça-feira, 10:08 - 23/02/2021

Pedro Leal

A queda meteórica das ações da petroleira nesta segunda-feira (22) levou a Petrobras a perder bilhões em valor de mercado.

Segundo levantamento da provedora de informações financeiras Economatica, a estatal encolheu R$ 74,2 bilhões apenas no pregão de hoje.

Foi a segunda maior queda diária em valor da mercado da Petrobras desde o início do plano Real.

Na sexta-feira (19), antes mesmo do anúncio do presidente Jair Bolsonaro da indicação de um novo presidente-executivo para a Petrobras, a estatal já tinha visto o seu valor na Bolsa encolher R$ 28 bilhões.

O caso já se tornou assunto de justiça: na segunda-feira, o juiz da 7ª Vara da Justiça Federal da 1ª Região, em Belo Horizonte, André Prado de Vasconcelos, determinou que o presidente Jair Bolsonaro, a União e a Petrobras expliquem, no prazo de 72 horas, a indicação do general Joaquim Silva e Luna para presidente da estatal.

Bolsonaro fez o anúncio na sexta-feira (19). O general é o atual diretor da Itaipu Binacional. Se confirmado, Silva e Luna substituirá o atual chefe da estatal, Roberto Castello Branco, indicado pelo presidente após as eleições de 2018.

A determinação do juiz federal foi motivada por um pedido de liminar feito pelos advogados Daniel Perrelli Lança e Gabriel Senra para impedir a saída do atual presidente e a posse do general.

"Houve um desrespeito à lei das estatais, atropelando a decisão que é do conselho da empresa. Tanto no mérito quanto na forma há irregularidades nesta indicação. O general não cumpre os requisitos determinados pela lei", disse Lança.

Na noite de segunda-feira, o conselheiro da Petrobras, Marcelo Mesquita, criticou a interferência do presidente na Petrobras, chamando a ação do presidente de "flerte com o comunismo".

Mesquita afirmou que a decisão de Bolsonaro mostra que ele não é "o grande antagonista do PT". "É o primeiro flerte dele de mostrar que ele é comunista, assim como o PT, e não o grande antagonista do PT. É por isso que hoje começou uma nova etapa do governo do Bolsonaro", afirmou o conselheiro na noite de segunda-feira (22) em entrevista à CNN Brasil.

Mesquita disse também que o governo agora terá de provar diariamente que a Petrobras não terá nenhuma intervenção e que a empresa "continua independente" como foi nos últimos anos.

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