O Índice de Medo do Desemprego caiu 2,2 pontos percentuais em setembro na comparação com junho e ficou em 65,7 pontos. O indicador, que é 2 pontos inferior ao de setembro de 2017, está muito acima da média histórica, de 49,7 pontos.

A informação é da pesquisa trimestral divulgada nesta quinta-feira (4) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O indicador varia de zero a 100 pontos. Quanto maior o índice, maior o medo do desemprego. O temor é maior entre a população mais jovem - 68,6 entre a faixa dos 16 aos 24, contra 63,1 na faixa dos 45 aos 54; entre as mulheres é de 68,4, contra 62,9 para os homens.

Já entre a população de baixa renda, é  73,1 para quem recebe um salário mínimo, contra 58,4 para quem recebe mais de cinco mínimos, uma diferença de 14,7 pontos.

Apesar da queda no índice de medo e embora a taxa de desemprego no Brasil tenha caído para 12,3% no trimestre encerrado em julho, ele ainda assombra 13 milhões de brasileiros, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

E quando se leva em conta os desalentados (que desistiram de procurar emprego), e da força de trabalho subutilizada, o número praticamente dobra. Só em Jaraguá do Sul, em agosto houve redução de 400 postos de trabalho.

Processo eleitoral deve afetar cenário

Apesar destes números, segundo o presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs), Anselmo Ramos, ao longo do ano tem se percebido uma redução dos indicadores que demonstram o receio das pessoas quanto à perda de emprego.

Ele frisa, no entanto, que o processo eleitoral deve afetar fortemente o cenário e este indicador.

"Esta tendência certamente será afetada a partir da próxima semana, com a definição do processo eleitoral, para melhor ou para pior. Independentemente do resultado das eleições, esta curva será modificada, porque este cenário é sempre sensível ao momento político que o país atravessa", diz.

O cenário "real" da empregabilidade e da segurança do emprego deve se firmar no começo do ano, avalia o empresário.

Ele explica que o indicador deve se comportar como reflexo da montagem do próximo governo e a definição das equipes ministeriais, em função da reação às primeiras manifestações oficiais do presidente eleito e do diálogo que iniciar com os vários segmentos da sociedade.

Em seu ver, os temores da população são reflexos do cenário vivido por empresários.

"Porque estas são situações que produzem a sensação de confiança ou de receio no mercado diante do que for apresentado pelo governo em termos de propostas, seja em reflexo da parte do setor produtivo como dos trabalhadores e de maneira geral no conjunto da sociedade", diz.

Nordeste tem maior temor

A maior queda foi no Sudeste – o índice caiu 5,8 pontos entre junho e setembro e reverteu o aumento de 4,8 pontos registrado entre março e junho. Mesmo assim, o medo do desemprego no Sudeste, que atingiu 64 pontos, é o segundo maior do país.

Os moradores do Nordeste são os que têm mais medo do desemprego. Naquela região, o índice alcançou 73,1 pontos em setembro, valor que é 1 ponto menor que o de junho.

No Sul, o medo do desemprego aumentou para 62,7 pontos em setembro e está 0,8 ponto acima do registrado em junho. Com isso, o medo do desemprego na região está acima do verificado no Norte/Centro-Oeste, onde o índice subiu 2,3 pontos entre junho e setembro e alcançou 60,9 pontos.

No ano, a taxa de desemprego chegou a 12,4%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - a maior na série histórica do órgão. São quase 13 milhões de brasileiros desocupados e quase 28 milhões de desempregados.

Satisfação com a vida sobe

O levantamento também mostra que o Índice de Satisfação com a Vida subiu para 65,9 pontos em setembro e está 1,1 ponto acima do verificado em junho. Mesmo assim, o indicador continua abaixo da média histórica de 69,7 pontos.

O indicador varia de zero a 100 pontos. Quanto menor o indicador, menor é a satisfação com a vida.  Embora demonstre parte das mesmas variações que o indicador de medo do desemprego em termos de grupos populacionais, as variações por sexo são menos expressivas.

A diferença entre homens e mulheres é de 1,6 ponto, de 66,7 para 65,1, respectivamente. Nas faixas etárias, a variação é inversa: a faixa com maior pontuação é dos 16 aos 24, com 69,6, enquanto a menor é daqueles com mais de 55, marcando 64,4.

A variação por faixa de renda, no entanto, segue expressiva: entre a população de menor renda, o indicador marca 60,5 ponto. Entre a de maior renda, sobe para 69,8 - uma diferença de 9,3 pontos.

Outro fator digno de nota é a diferença na satisfação entre cidades do interior e capitais: são 2,7 pontos de diferença, passando de 67,1 para 64,4. Esta edição da pesquisa ouviu 2 mil pessoas em 126 municípios entre 22 e 24 de setembro.

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