Com crescimento acumulado de 0,7% entre janeiro e agosto, as vendas do varejo seguem em ritmo de recuperação e trazem otimismo para os comerciantes, que esperam um Natal mais movimentado para este ano. Para quem deseja ficar de olho no comportamento do consumidor, um bom termômetro para as vendas deve ser a Black Friday, tradicional liquidação do varejo que este ano acontece na última sexta-feira de novembro, dia 24. A previsão é de que o desempenho do setor na data seja fundamental para determinar a estratégia dos varejistas durante o Natal. É o caso do empresário Diego Amaral, que gerencia uma loja de artigos eletrônicos no calçadão de Jaraguá do Sul. Com uma equipe enxuta, mas bem preparada, o comerciante aposta na Black Friday para entender melhor como está a intenção de compra do consumidor este ano. “A princípio, manteremos a equipe como está para o Natal, mas se o movimento for bom durante a liquidação sem dúvida vou analisar a possibilidade de contratar algum funcionário temporário”, avalia o empresário. Se depender dos indicadores, as expectativas de crescimento devem se concretizar: pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) atingiu 77,9 pontos em outubro, um crescimento de 1,4% na comparação com setembro. Trata-se da maior variação mensal no índice desde 2017. Na comparação com o mesmo período do ano passado o avanço é ainda mais significativo, 5,4%. “A intenção de consumo das famílias segue em recuperação lenta, porém progressiva. Os sinais de regeneração do mercado de trabalho deverão contribuir para elevar o grau de confiança dos consumidores nos próximos meses, dando sustentabilidade ao ritmo de crescimento das vendas”, avaliou a assistente econômica da CNC, Juliana Serapio, em nota divulgada pela entidade. Ainda segundo a pesquisa, a Perspectiva de Consumo do brasileiro avançou 16,7% em outubro, na comparação anual. “A Black Friday é uma boa oportunidade para liquidar os produtos e finalizar os estoques para o próximo ano. Muitos consumidores aproveitam a oportunidade para garantir os presentes, além de atrair as pessoas para o comércio. Cada vez mais o varejo físico tem investido em bons descontos para aproveitar melhor a data”, afirma Amaral, que este ano irá oferecer descontos de até 50% para atrair os clientes. Segundo pesquisa do Google, apesar de ainda estar longe de ter o mesmo peso para as lojas tradicionais que apresenta para as virtuais, a Black Friday começa a trazer boas oportunidades de vendas para o varejo físico. A estimativa da gigante da tecnologia é de que nos próximos três a quatro anos o desempenho para a data passe a ser equiparado em ambos os segmentos, movimento que dependerá muito da maneira como os comerciantes encararem a proposta. No ano passado, as vendas do varejo físico cresceram 11% no Brasil durante a data, na comparação com o ano anterior. “Hoje o lojista entende que é preciso ser coerente e sincero com o consumidor para que a campanha funcione”, destaca o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Jaraguá do Sul (CDL), Marcelo Nasato. “No cenário atual, com certeza vale a pena o consumidor deixar a internet um pouco de lado e pesquisar o que temos na região, conferindo os detalhes e valorizando o mercado local, tendo em mente que a facilidade de pesquisa ajudou a trazer os preços para patamares muito próximos”, comenta. Na internet, a data deve movimentar R$ 2,2 milhões este ano, alta de 15%, segundo levantamento da Ebit.