A primeira vez que o designer Gustavo Nicolodelli, 34 anos, se aventurou pelo universo das cervejas artesanais foi em uma brincadeira improvisada na cozinha de casa. Na época, a panela de oito litros parecia suficiente para suprir a vontade do jaraguaense, que reproduziu fielmente, ainda que aos trancos e barrancos, as orientações encontradas na internet. A experiência rendeu boas risadas e uma bebida boa o suficiente para estimular Gustavo a continuar com os experimentos na busca pela “cerveja perfeita”. Dos oito litros iniciais, a produção artesanal do designer passou para 12 litros, continuou a crescer, ultrapassou os 60 e hoje alcança os 1,5 mil litros, produzidos, é claro, com o auxílio de uma fábrica especializada localizada no município de Indaial. Com o nome de Rott North, a marca teve início com a tradicional cerveja de trigo, a weiss, que apesar de encorpada possui “uma leveza que costuma surpreender e agradar a todos os paladares”, garante Gustavo. A ideia de transformar o hobby de fazer cerveja em negócio surgiu há alguns anos, quando a receita criada por Gustavo começou a conquistar fãs entre os amigos e conhecidos da família. “Em 2014 quando comecei com a produção, eu estava em busca de um hobby porque meu rottweiler, Luthor, tinha feito uma operação nas patas e precisava de companhia frequente em casa”, conta o empreendedor, que contou com o incentivo da companheira, Pâmela Lemus, 36 anos. “No início eu não gostei da ideia, porque era algo caro, demorado e que fazia muita sujeira”, conta Pâmela entre sorrisos, relembrando o desespero que era encontrar a cozinha da casa virada de pernas para o ar. “Mas aos poucos a coisa foi dando certo e aí comecei a ajudar no processo”, relembra a jaraguaense, ressaltando que sua contribuição mais indispensável está na função de “degustadora” das bebidas. Para dar um toque especial ao projeto, o casal resolveu criar a marca Rott North em homenagem a Luthor, afinal, sem o “auxílio” do amigo de quatro patas a ideia poderia nunca ter se tornado realidade. “Cada estilo de cerveja leva no rótulo uma índole do cachorro. Então o cachorro é delicado, é firme, e cada sabor que fomos criando vai carregar essas características, que de certa forma também identificam as pessoas. Tanto é que nosso slogan é ‘Junte-se à matilha’”, explica Gustavo.
Cerveja Rott North homenageia cão da família | Foto Eduardo Montecino/OCP
Apaixonados por animais, os empreendedores também adotaram como fundamento da marca a comercialização de produtos totalmente veganos, postura que é fortalecida por meio de ações de apoio às ONGs e associações de proteção aos animais. “As cervejas de grandes cervejarias acabam usando produtos químicos que levam base animal, para clarificar ou aromatizar a bebida. A cerveja artesanal não tem esses processos, com exceção das que acrescentam mel ou outros ingredientes deste tipo, por isso ela acaba sendo vegana”, explica Pâmela. Até agora o trabalho de Gustavo e Pâmela tem rendido bons frutos. Com o aumento da produção, a expectativa é de que a marca comece a se tornar mais conhecida e conquiste outros mercados. “Já estamos em Pomerode e uma vez enviamos nossa cerveja para familiares no Peru. Fora isso participamos de feiras em Jaraguá do Sul e em cidades como Blumenau”, explica Gustavo. “No próximo ano nosso objetivo é pelo menos duplicar a produção ou quem sabe triplicar, dependendo da aceitação”, diz o designer.   Busca por bebidas saudáveis cria novo nicho de mercado De olho nas tendências do mercado, o casal de empreendedores resolveu apostar também na fabricação de kombucha, uma bebida fermentada que promete trazer benefícios importantes para a saúde. Muito consumida pelos chineses, esta bebida milenar é obtida pela fermentação do chá preto ou verde. Ali se forma uma levedura (ou colônia) de microorganismos que se alimenta de açúcar, processo que gera um líquido refrescante levemente borbulhante e repleto de vitaminas, enzimas, probióticos e nutrientes.
Kombucha La Tierra: produção de dez garrafas por semana da bebida que vem despertando atenção dos consumidores | Foto Eduardo Montecino/OCP
“É uma bebida bem saudável, um frisante ou refrigerante natural. O sabor dela em si já é muito bom, mas também se mistura sucos para saborizar”, explica Pâmela. No caso da La Tiera, marca criada pelos empreendedores, os sabores utilizados são uva, laranja e tangerina. “Começamos há uns três meses, a produção ainda é pequena, de cerca de dez garrafas por semanas, mas é algo que tem despertado a atenção das pessoas”, conta Pâmela, que começou a produção para consumo próprio. “Quando as pessoas tomam pela primeira vez acham o sabor diferente. É uma bebida meio azeda, com um fundo ácido, mas também doce”, descreve ela. A bebida também é conhecida pela versatilidade, já que além de poder ser misturada com sucos de fruta, pode ser base para smoothies. “Vale a pena experimentar”, aconselha a empreendedora.  Mais informações: https://www.facebook.com/rottnorth/