No ano passado, a chamada indústria da defesa, que presta serviços para forças armadas e departamentos de defesa ao redor do globo, chamou atenção em Jaraguá do Sul com duas notícias - a produção de componentes para a marinha dentro do programa Prosub, com motores elétricos para alguns sistemas, e a produção de partes de mísseis por uma empresa de usinagem local, exportadas para a Hungria.

Agora, a relação entre indústria e defesa volta a pauta através da Fiesc. Para facilitar as exportações de produtos brasileiros de base industrial de defesa - como partes para armas, navios, blindados e aviões de combate -, o Ministério da Defesa está estruturando fundos de investimentos privados.

Acompanhado por técnicos do Ministério, o diretor do departamento de financiamentos e economia de defesa, general Danilo Cezar Aguiar de Souza, participou da reunião do Comitê da Indústria de Defesa da Fiesc (Comdefesa), em Florianópolis nesta semana.

“Esses fundos serão constituídos por empresas e países estrangeiros e têm o objetivo de dar garantia para que as empresas brasileiras possam exportar com maior fluidez os produtos fabricados no Brasil”, explicou, salientando que o Ministério tem estabelecido contatos com empresas e governos de outros países para apoiar a indústria brasileira.

Peças produzidas para indústria da defesa em Jaraguá do Sul | Foto Divulgação

O assessor militar do departamento, Robson Alves da Silva, informou que há dificuldades de financiamento para empresas que fornecem para o setor de defesa.

Calcula-se que 90% da base de indústrias de defesa são empresas de pequeno e médio portes, que, muitas vezes, não conseguem cumprir exigência para conseguir crédito.

“São fundos privados e a regulamentação deles será feita pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Vamos fazer a destinação dos recursos para atender os segmentos e para fazer chegar à ponta”, diz.

Ele ressaltou que o processo de desenvolvimento de produtos de defesa é de longo prazo, exige investimentos em P&D e precisa ser dual, ou seja, com aplicação militar e civil.

“A indústria de defesa não consegue viver sem dualidade e exportação”, afirmou, ressaltando que para o segmento de defesa não falta dinheiro, mas há contingenciamentos de orçamento.

Área única para exportações dos produtos

Na reunião também foi apresentada a criação do Time Brasil junto à Camex (Câmara de Comércio Exterior, ligada ao Ministério da Economia). A iniciativa busca desburocratizar e criar um espaço único para conceder as autorizações para exportação dos produtos de defesa, cumprindo os requisitos necessários, mas com mais agilidade.

“Temos feito uma aproximação muito grande com as demandas militares e as necessidades dos projetos das Forças Armadas, que, logicamente, reservam um volume de recursos. Além disso, a preferência é a aquisição por meio de empresas brasileiras. Não existe defesa sem a indústria local", afirmou o presidente do Comdefesa, Cesar Olsen, lembrando que Santa Catarina tem indústria diversificada e muita tecnologia.

 

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