Centenas de economistas e banqueiros renomados divulgaram uma carta aberta no último domingo, (21) em que exigem dos governantes brasileiros medidas efetivas contra o avanço do coronavírus no país.

O documento já possui mais de 500 assinaturas. As informações são da emissora alemã Deutsche Welle.

Entre os nomes que referendam a carta estão os ex-ministros da Fazenda Pedro Malan, Maílson da Nóbrega, Marcílio Marques Moreira e Ruben Ricupero, e os ex-presidentes do Banco Central Armínio Fraga, Affonso Celso Pastore, Gustavo Loyola, Ilan Goldfajn e Pérsio Arida.

Para o presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs), Luís Huffenüssler Leigue, a carta revela um ressentimento quanto à falta de medidas.

"O que a sociedade brasileira, podemos dizer de maneira geral, mais se ressente, é de um plano abrangente para o País quando se pensa no enfrentamento desta grave crise sanitária e seus impactos em todas as áreas, dentre elas a econômica", acredita.

Para ele, no entanto, há um excesso de polarização que tem comprometido os sistemas de saúde.

"O que se percebe é a falta de uma coordenação ampla no enfrentamento da pandemia, o que gerou ineficiência na gestão da crise, ou do que poderíamos estar fazendo tanto no plano sanitário como no econômico", avalia.

"Há casos isolados de excelência e de mitigação de efeitos maiores, como é o caso de Jaraguá do Sul, onde ainda dispomos de uma estrutura de saúde bem administrada, muito por méritos da nossa comunidade e sua capacidade de mobilização e senso de organização. Mas percebemos que há situações diferentes em outras regiões onde o quadro é caótico. Se considerarmos as dimensões do Brasil, esse efeito sem dúvida é exponencialmente pior", complementa.

Plano abrangente é uma necessidade

Segundo o empresário, o que se deduz da carta divulgada por banqueiros e economistas é que o documento reflete sintomas que alcançam toda a sociedade ao dizer que o país precisa de um plano abrangente e sistêmico - e que tem sido deixado de lado.

"Seja quando se fala em vacinação massiva, de maneira mais efetiva, como também em relação às estruturas de saúde, contando com políticas mais consistentes e com fomento para termos melhores resultados. Essa é uma discussão que deveria pautar a agenda nacional neste momento em que se define o orçamento para o próximo ano, mas que pouco tem sido debatida porque outros temas, até fora do assunto pandemia, ganham espaço nos debates e com isso deixamos de concentrar esforços em um plano macro de enfrentamento à doença, como a definição de mais recursos para as saúde, para as áreas de pesquisa científica em relação ao combate à Covid, e mesmo em relação ao quadro econômico como é o caso do auxílio para a recuperação do poder de compra dos brasileiros e no apoio a setores fortemente afetados pela crise. Essa frente precisa ser liderada pelo governo federal, estimulando as ações de estados e municípios", diz.

"Estamos perdendo tempo com discussões polêmicas, fora do foco central que é o enfrentamento da pandemia, e com isso deixando de tomar medidas práticas, em todos os níveis, sem querer personalizar um ou outro, mas analisando o país como um todo", completa.

A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) compartilha da posição de que o momento não seria para posicionamentos "polêmicos", mas frisa que é importante acelerar a vacinação para garantir a recuperação econômica.

"O Brasil deve imunizar todos seus idosos e profissionais da saúde até o mês de maio e, até agosto, os cidadãos com mais de 20 anos que queiram se vacinar. Caso se confirme tal cenário seria compatível com uma retomada importante da economia no segundo semestre, especialmente aos setores mais atingidos e por bons ou maus motivos que a carta aponta, o importante é que estamos mais próximos do que se imagina de uma tão aguardada imunidade e retomada da normalidade no nosso dia a dia", afirma o presidente da entidade, Sergio Rodrigues Alves.