O país deve passar ainda por mais alguns anos de dificuldades na área econômica e precisa urgentemente de reformas estruturantes e investimentos caso queira voltar a crescer.

Esta foi a avaliação do  economista da Fecomércio, Elder Arceno, em apresentação na plenária mensal da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas) de Jaraguá do Sul, nesta quarta-feira.

O país conta ainda com uma taxa de desocupação elevada, de 12,3%, um crescimento fraco do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em 1,21% para o exercício de 2018, e está longe de ter recuperado as perdas dos anos mais intensos de depressão econômica, 2014 e 2015. "Estamos agora no patamar que tínhamos em 2011", avalia o economista.

Esta conjuntura pessimista se confirma também na inflação abaixo do centro da meta, que indica pouca atividade econômica no país, e no fechamento da fábrica da Ford em São Bernardo, na semana passada - indicando uma queda de interesses internacionais no Brasil.

"O fechamento da Ford custou cerca de 25 mil empregos, e temos outras empresas cogitando encerrar suas atividades diretas no país, como a GM", ressalta.

Economia derrubou Dilma

O cenário econômico do país foi o estopim da crise política que culminou no impeachment da presidente Dilma Rousseff, avalia Arceno.

"O grande problema que levou ao Impeachment da Dilma não foram os decretos nem a corrupção, foi atividade econômica fraca, e isto se viu nos argumentos usados nos votos pelo impeachment", afirma.

Segundo o economista, o país tem vivido um quadro de depressão e desaceleração da economia desde 2008, se agravando a partir de 2011, e que se caracteriza fortemente por uma taxa de investimentos baixa.

Estima-se que o país precisaria de investimentos na ordem de 25% do PIB para manter um crescimento sustentável - mas nos últimos anos, este tem se mantido em uma média de 15% ao ano.

Além disso, nos anos que antecederam a crise, o país foi marcado por um aumento dos gastos públicos e por uma expansão do crédito como forma de alavancar o consumo.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

As medidas resultaram em um aumento no consumo a curto prazo, mas no longo prazo acarretaram em aumento do endividamento das famílias e queda no consumo.

A manutenção do quadro negativo em 2017 e 2018 se explica por uma combinação de fatores, dos quais se destacam a alta do dólar - que passou dos R$ 4 no ano passado - as incertezas com o período eleitoral e os impactos da greve dos caminhoneiros, em maio de 2018.

As incertezas políticas se resolveram com a eleição do presidente Jair Bolsonaro, mas segundo Arceno, o furor com o presidente eleito já se acalmou com a não confirmação de expectativas mantidas durante as eleições.

Reformas são essenciais

"Não há mais espaço ou possibilidade para um governo que gasta muito", disse o economista, frisando a necessidade do país cortar gastos e fazer urgentemente reformas essenciais para a economia.

Se o Brasil quiser retomar o crescimento, segundo o panorama traçado por Arceno, as reformas tributárias e da Previdência são essenciais - especialmente esta última.

"Por que tanto se fala na reforma da Previdência? É nela que se tem o maior déficit e o maior comprometimento, e a expectativa é de que a reforma - alguma reforma - seja aprovada", avalia, ressaltando que é improvável que o texto a ser votado seja o que foi apresentado na semana passada.

Segundo o economista, há uma expectativa muito grande de que o governo Bolsonaro leve adiante as reformas de que o país precisa - mas ao mesmo tempo, há também esperança de que haja aumento na taxa de juros, em atuais 6,5%.

Além disso, há perspectiva da perda de mais investimentos estrangeiros como resultado de ações do governo dos EUA para atrair empresas de volta ao país e de tensões com a China.

SC em situação favorável

Nem tudo no cenário apresentado foi negativo. Segundo Arceno, o Estado tem se destacado economicamente, com taxa de desocupação baixa (6,8%), atividade econômica elevada em comparação com a nacional.

Um alto grau de confiança do consumidor e do empresariado - mais de 80% dos catarinenses também prevê um ano favorável para a economia estadual, segundo pesquisa da Fecomércio.

 

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