Foto Divulgação  Não existe um valor de ética ou de moral que pertença a um indivíduo, ou a uma empresa, isoladamente. A busca de uma sociedade equilibrada, que respeite princípios e assuma o seu papel transformador, deve ser permanente e compartilhada em todos os ambientes. A posição foi colocada em tom de consenso por três especialistas da área acadêmica, convidados pela Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs) para debater o tema ética e sua relação com o mundo corporativo na plenária que a entidade realizou juntamente com a Apevi, na segunda-feira (19). Dois filósofos e um teólogo defenderam a ética e a moral como valores que precisam fazer parte do cotidiano de pessoas e empresas, pois somente deste modo as organizações e indivíduos terão assegurada a perenidade de propósitos seja no mundo corporativo como no dia a dia profissional e familiar. Na foto, na mesa, Itamar, Waldir e João durante o debate. "Vivemos uma crise moral, talvez sem precedentes na história do Brasil. Neste contexto, devemos entender que a melhora de nossas condutas precisa ser uma tarefa contínua. Não há aperfeiçoamento moral, do ponto de vista institucional sem que haja um aperfeiçoamento moral do ponto de vista pessoal", resume Itamar Luís Gelain, professor da Católica de Santa Catarina, ao lembrar que sem uma ação individual não se tem uma resposta coletiva. Com graduação em filosofia, mestrado e doutorado na mesma área, ele enfatiza que não há como uma instituição ser séria, do ponto de vista e ético e moral, se os indivíduos não assumirem este comprometimento. "Agir moralmente não é cumprir ordens, fazer o que alguém determina, mas fazer porque é assim que deve ser feito. Quando apenas se reproduz costumes, se segue ordens, porque alguém está observando, no primeiro momento em que isto não acontecer a pessoa mudará sua postura, é como uma encenação", diz. Com bacharelado e doutorado em teologia, e licenciatura em filosofia, além de mestrado nas mesmas áreas, Waldir Souza entende que embora pareça inusitado o debate sobre as relações entre o pensamento filosófico e teológico com o mundo corporativo faz pleno sentido. "É louvável que uma entidade empresarial proponha este tipo de reflexão que tem tudo a ver com os dias atuais. A ética e a moral nunca deveriam ser códigos a serem cumpridos simplesmente porque se trata de algo politicamente correto. Ao contrário, precisa ser algo próprio da existência humana", pondera Souza, também do corpo docente da Católica de Santa Catarina. Mediador do debate, ligado à mesma instituição de ensino, o professor João Arnoldo Gascho tem formação em filosofia e especializações em administração de empresas e em administração de recursos humanos, sendo autor do livro "Do mito ao genoma: a ética na contramão da história". Para ele, trata-se de uma abordagem moderna e oportuna "porque ética não é coisa de filosofia e tampouco deve ser praticada somente quando estamos sendo vigiados". Para ele, quem molda a atitude de acordo com a ocasião é esperto, ao contrário de ser inteligente. "Me dá medo quando percebo estas atitudes que não são de caráter, mas de oportunismo. Devemos ter cuidado com pessoas espertas", argumenta. Gascho aponta que "nenhuma empresa que busca se consolidar por seus valores, aqueles deixados por seus fundadores, deseja ter em seu quadro pessoas sem caráter porque em um momento ou outro isto será desmascarado e as consequências muitas vezes são determinantes ao sucesso e à existência de qualquer negócio. Ao contrário, as empresas sérias sempre irão privilegiar as pessoas inteligentes, comprometidas, porque isto reflete uma condição do caráter. Não há nenhuma outra forma de agir de uma organização empresarial de maior valor estratégico que não seja pautada na moral e na ética", sublinha. Para o empresário Anselmo Ramos, vice-presidente da Acijs que conduziu a plenária, o tema faz parte da pauta da entidade e abordagens contextualizadas com temáticas como governança corporativa, sustentabilidade, ou com os valores e a missão de empresas, continuarão sendo trazidos ao debate nas plenárias e encontros empresariais. Lembra que a Acijs completa nesta quinta-feira, 22 de junho, 79 anos de fundação, registrando na história um compromisso permanente com valores que o painel apresentou, importantes para as boas práticas da gestão empresarial. "O principal objetivo da Acijs é estar alinhada à classe empresarial nas suas necessidades de interlocução com outros segmentos ativos da sociedade, com o poder público e nas demais representações institucionais. A entidade tem um histórico de atuação no presente, mas olhando sempre em direção ao futuro, contribuindo para que as empresas se preparem para os cenários econômicos, em condições de competitividade no mercado. Debates em torno de temas como a ética permitem à entidade fortalecer a base construída ao longo dos anos, para assegurar a continuidade deste bem-sucedido modelo que Jaraguá do Sul apresenta, cujos reflexos na comunidade são inegáveis". *Com informações e foto da assessoria de imprensa