O Brasil pode ocupar papel relevante na América do Sul em relação ao esforço global pela descarbonização, principalmente quando se trata de mobilidade e o uso de energias ‘limpas’ no transporte.

O assunto foi pauta do 3º FaberUp Conexões, iniciativa da Fiesc integrada à programação da Semana da Indústria no estado. O evento reuniu na terça-feira (24), no Instituto Senai de Tecnologia, em Jaraguá do Sul, projetos desenvolvidos por empresas e suas estratégias em mobilidade que envolvem inovação e desenvolvimento tecnológico.

O vice-presidente da Fiesc no Vale do Itapocu, Célio Bayer, ressaltou o esforço da indústria em estar alinhada aos novos desafios globais. Falou da articulação integrada ao ecossistema de inovação, por meio do Instituto da Indústria Eggon João da Silva, que é sede do Instituto Senai de Tecnologia voltado à mobilidade elétrica e energias renováveis, em parceria com municípios e outras instituições para o fortalecimento da economia regional.

“O comitê trabalha com o objetivo de buscar de maneira alinhada com Prefeituras e associações empresariais para atender demandas seja de qualificação dos trabalhadores, no incremento da inovação ou no suporte para a internacionalização dos negócios”, afirma Bayer. José Eduardo Azevedo Fiates, diretor de Inovação e Competitividade da Fiesc, disse que o propósito da Rede FaberUp é estimular o compartilhamento do conhecimento, disseminando boas práticas que apoiem o empreendedorismo inovador, uma das marcas da indústria de Santa Catarina.

O diretor Industrial de Sistemas & eMobility da WEG, Valter Luiz Knihs, falou sobre as estratégias da empresa e apontou os avanços em soluções que podem ser aplicadas a várias áreas. Uma das metas é alcançar a maior autonomia de veículos elétricos, visando atender todos os serviços de transporte, desde os modelos de passeios aos de carga e coletivo.

No encontro, o empresário João A. Ozório, fundador da Yak Tratores Elétricos, apresentou o posicionamento da empresa no desenvolvimento de modelos para o setor agrícola, e na movimentação de cargas em ambientes industriais e aeroportos. Com sede em Joinville, a empresa surgiu como startup e já projeta uma expansão visando atender um mercado que somente no Brasil gira em torno de R$ 3,7 bilhões.

O gerente de manutenção da General Motors, Francisco de Oliveira, falou dos investimentos da montadora, com unidades em Joinville, e disse que a estratégia da montadora em nível global é tornar toda a produção em modelos elétricos. Segundo ele, a meta é ter a descarbonização completa do processo automotivo até 2040. Francisco entende que a América do Sul e, principalmente, o Brasil, oferecem potencial para se tornar um polo tecnológico e de exportações de veículos elétricos. Aponta que o País tem indicadores favoráveis como a qualidade de áreas como a engenharia automotiva e a integração entre indústria e instituições de ensino e pesquisa que formam parcerias de sucesso em soluções que envolvem tecnologias inovadoras.

O evento contou ainda com a participação do economista Maicon L. Brand, do Observatório Fiesc, que falou sobre o cenário global e os reflexos na economia brasileira e do estado, apontando indicadores e seus impactos na região.