Passando por uma alta expressiva, o arroz, que registra no período de janeiro a agosto deste ano a maior alta acumulada desde 2008, lançou holofotes sobre os preços da alimentação.

Por anos girando na faixa dos R$ 10 pelo saco de 5kg, o produto disparou e preços de R$ 25 por pacote se tornaram realidade em muitos municípios.

Enquanto para o consumidor o cenário é um choque, para os produtores a alta veio em um momento de capitalização necessária, afirma o presidente da Cooperativa Juriti, de Massaranduba, Orlando Giovanella.

Com anos de preços baixos, muitos produtores ficaram sem capital, afirma o ruralista - e com a alta do dólar, focaram sua safra na exportação, mais lucrativa.

Este movimento impediu muitos produtores de gerarem capital com a alta atual, pois já haviam vendido sua safra por preços mais baixos no mercado interno, ou encaminhado para exportação.

O resultado desta tendência, no entanto, é que a redução de estoques internos e aumento da demanda leve ao que o consumidor tem sentido: o arroz ficou mais caro. Bom para os produtores que se seguraram, mas ruim para as contas de casa.

O governo do Estado estima que haja uma alta expressiva na safra do ano. Se as estimativas se confirmarem, o arroz deve chegar ao final da safra 2020/21 com uma produtividade de 8.418 kg/ha, aumento de 0,32% em relação ao último ciclo agrícola.

O total produzido esperado é de 1.258.123 toneladas. Na safra 2019/20 o grão já alcançou produtividade acima média, quando ficou em 8.391kg/ha.

Segundo o produtor, na região não há previsão de falta de estoques.

"A safra 2020 foi dentro das expectativas o produtor investiu em tecnologia e colheu um bom resultado. Os estoques estão ajustados, dentro da capacidade de produção de não haver falta de produto até o início da próxima safra do ano 2021", diz.

Valores mais altos, mas não irreais

Ele também reforça que exemplos de valores exorbitantes muito divulgados nas redes sociais são pontuais.

"Hoje só se fala em arroz a R$ 40 reais o pacote, não é verdade, pois a maioria das marcas vende abaixo de R$ 25 reais, e mesmo a este preço ainda é o alimento mais barato no prato de comida" afirma.

Para ampliar os estoques internos, o Governo Federal anunciou a isenção de impostos sobre o arroz importado, restrita a uma cota de 400 mil toneladas de arroz com casca não parboilizado e arroz semibranqueado e branqueado, não parboilizado.

A medida visa reduzir o custo do arroz importado para aumentar a oferta e conter a alta de preços do produto no mercado interno.

Segundo Giovanella, a medida não afeta os produtores nacionais de forma significativa. "Essa quantidade só abastece 15 dias de consumo no Brasil", comenta.

Atualmente, a alíquota de importação do produto adquirido de países fora do Mercosul é de 10% para arroz em casca e de 12% para o arroz beneficiado.

Para países que integram o Mercosul (Argentina, Uruguai, Paraguai), a tarifa já é zero, segundo informações do Ministério da Economia.

 

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