Por Kamila Schneider | Foto Divulgação O mercado de trabalho está mudando. A cada dia, o desenvolvimento de novas tecnologias e os avanços de gestão estimulam o surgimento de novas perspectivas e, com elas, a criação de novas possibilidades. A aprovação do projeto de lei que estrutura a reforma trabalhista, votada esta semana pela Câmara de Deputados, trouxe à tona um debate importante: como o mercado está se preparando para o trabalho do futuro? E mais: o que, de fato, está por vir? Na manhã de sexta-feira (28), o IBGE divulgou pesquisa que mostra que o desemprego atingiu a maior taxa em 15 anos, atingindo 14,2 milhões de pessoas em todo o país. A estimativa assusta, mas também desperta a necessidade de novas alternativas. De acordo com a mestre e doutora em administração, Antonia Egidia de Souza, o cenário mostra que é hora de repensar o mercado e adotar novas posturas. É provável que o mercado do futuro não possa mais ser baseado apenas no consumo, até porque o crescimento do consumo tem limite – e não só financeiro, físico também, afinal, não é possível aumentar o número de carros em circulação infinitamente, por exemplo. Mais do que isso, o diretor do Senai de Santa Catarina, Jefferson Gomes de Oliveira, aponta que o mercado do futuro exige profissionais preparados, extremamente qualificados e abertos às novas tecnologias. E isso passa pela formação educacional, mas também exige mudanças culturais, algumas delas bastante desafiadoras. Com a ajuda destes dois especialistas, o OCP separou uma lista de cinco tendências para o mercado de trabalho do futuro, que mostram para onde o cenário caminha e o que as empresas e os trabalhadores podem vivenciar nas próximas décadas. Demanda por profissionais no setor de serviços irá crescer Com o advento da tecnologia na indústria, boa parte dos processos passará a ser automatizado e a tendência é que no futuro haja redução no volume de trabalhadores dentro dos parques fabris. Isso não significa, entretanto, que faltarão oportunidades no mercado: a demanda por profissionais no setor de serviços, por exemplo, deve crescer substancialmente daqui para frente. “Hoje, segmentos de estética, saúde e bem-estar já crescem além dos demais, e devem continuar a avançar. A expectativa de vida cresce enquanto a taxa de natalidade cai, e áreas ligadas à qualidade de vida serão uma ótima oportunidade de trabalho e também para empreender. O mesmo vale para serviços tecnológicos, como desenvolvimento de software, hardware e aplicativos”, destaca Antonia. Formação técnica será cada vez mais valorizada O mercado precisa de pessoas com habilidades específicas e com alta capacidade produtiva, por isso, profissionais com formação técnica tendem a ser cada vez mais valorizados. “A universidade é importante, pois nos ajuda a compreender conceitos de forma aprofundada, mas a formação técnica desenvolve o ‘saber fazer’. Esta é uma necessidade do mercado – temos postos, mas faltam pessoas com habilidades técnicas. Temos que repensar o papel dos institutos e escolas técnicas, que ajudam a dar mais empregabilidade com qualidade. É uma mudança cultural em que as pessoas entendem que não precisam seguir sempre o mesmo perfil de formação”, explica Antonia. Além disso, o domínio de outros idiomas tende a ser uma qualificação cada vez mais relevante dentro das empresas. A tecnologia irá possibilitar novas formas de gestão A forma como as pessoas se relacionam no ambiente de trabalho irá mudar, assim como as ferramentas de avaliação. A tecnologia irá permitir o acompanhamento de resultados de forma mais aprofundada e direta – um bom exemplo disso são os home offices, aponta Oliveira: “O trabalho feito de casa é hoje uma das principais causas de ações trabalhistas no país, porque nem sempre o trabalho é alinhado da maneira como se espera. Para resolver isso, a tendência é acontecer uma ‘gamificação’ do trabalho, para que a empresa seja capaz de verificar o ‘trabalhado’ daquele profissional em relação aos demais. É claro que isso entra em aspectos legais e éticos, por isso teremos que ter uma regulamentação”. O trabalho e o ambiente empresarial se tornarão mais flexíveis O futuro das empresas passa pela liberdade dos profissionais. Esse é um dos pontos da Reforma Trabalhista. A flexibilização do trabalho permitirá aos profissionais escolherem como, onde e em que horário trabalhar, adaptando o ambiente de trabalho às necessidades pessoais da equipe, tudo isso impulsionado pela tecnologia. Neste contexto, a autogestão também deve ganhar espaço. Trata-se do protagonismo do profissional, que irá controlar sua produtividade por conta própria, tornando o processo de gestão menos hierarquizado e mais colaborativo. O mercado irá exigir novas formas de infraestrutura urbana Para que muitas destas mudanças ocorram, será preciso investir em infraestrutura, e não necessariamente o tipo de infraestrutura que priorizamos atualmente. “Nesse novo mundo teremos relações sendo impostas em todos os tipos de habitat, urbanos e rurais, e eles precisam permitir a interação social. Hoje nossas políticas públicas são muito baseadas em criação de vias, transporte, a conectividade ainda está relacionada a um aspecto físico. No futuro precisaremos de energia e banda larga com qualidade, ou seja, outras formas de conectividade terão que ser colocadas na agenda”, ressalta Oliveira.