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Nova gasolina da F1 sem petróleo e feita com lixo chegará aos carros

Foto: Getty Images

Por: Elisângela Pezzutti

18/03/2026 - 12:03 - Atualizada em: 18/03/2026 - 12:27

A temporada de 2026 da Fórmula 1 estreou um novo conjunto de regras que provocou mudanças significativas nos carros. Os monopostos ficaram menores, passaram a contar com maior potência elétrica e adotaram, entre outras inovações, um chamado “combustível sustentável avançado”.

Esse termo, utilizado pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo), refere-se à nova gasolina usada na categoria — também conhecida como e-fuel. Embora possa ser empregada até em veículos comuns, ela não é produzida em refinarias tradicionais. Trata-se de um combustível sintético, desenvolvido a partir de compostos artificiais, resíduos urbanos e até materiais descartados como algas e restos florestais, com o objetivo de reduzir as emissões de carbono.

Mais do que alterar o desempenho nas pistas, o regulamento busca incentivar soluções aplicáveis a desafios reais, tirando as equipes da zona de conforto. Nesse contexto, a adoção de combustíveis mais limpos ganhou protagonismo.

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Desde 2022, os carros já utilizavam uma mistura com 10% de etanol, proporção que chegou a 100% em algumas corridas de Fórmula 2 e Fórmula 3 recentemente. Agora, o etanol continua presente, mas inserido em uma mudança mais ampla na composição do combustível.

Como a gasolina é formada basicamente por carbono e hidrogênio, surgiu a ideia de produzi-la artificialmente — e essa versão sintética passou a representar a maior parte do combustível usado na F1. Sem depender de petróleo, sua fabricação envolve dois processos principais: um captura dióxido de carbono e separa seus elementos, enquanto o outro produz hidrogênio por meio da eletrólise da água.

Essas etapas utilizam energia de fontes renováveis, e o único subproduto liberado durante a produção é oxigênio. O resultado é uma molécula equivalente à gasolina tradicional (C8H18), que, ao ser queimada, compensa previamente o carbono emitido.

Mesmo assim, ainda é necessário adicionar componentes extras ao produto final. A FIA permite que esses aditivos venham de diferentes origens, como lixo urbano, resíduos agrícolas e até algas, abrindo espaço para inovação entre as equipes.

Cada escuderia, junto de suas parceiras, pode explorar caminhos próprios. A Mercedes-AMG, por exemplo, investe em substâncias derivadas de óleo de cozinha usado, enquanto a Ferrari continua apostando em misturas com etanol. Outras fabricantes também estudam o aproveitamento de sobras agrícolas que não servem para consumo.

Um ponto essencial é que essas matérias-primas devem ser descartes sem outro uso relevante, evitando que a produção do combustível gere novos impactos negativos. Por isso, é proibido utilizar recursos que concorram com a cadeia alimentar. No caso de resíduos urbanos, são aceitos apenas materiais sólidos, não tóxicos e que não possam mais ser reciclados ou reaproveitados.

Também seguem vetados combustíveis fósseis derivados de petróleo e substâncias sem comprovação clara de redução de emissões.

Das pistas para o uso cotidiano

Ainda não há uma avaliação precisa sobre os efeitos desse novo combustível no desempenho da Fórmula 1, já que os carros também passaram por grandes mudanças técnicas. Mesmo assim, a organização destaca que o comportamento da gasolina avançada é equivalente ao da convencional, diferindo apenas na forma de produção.

Para isso, há especificações rigorosas: a octanagem deve ficar entre 95 e 102 RON, o poder calorífico entre 38 e 41 MJ/kg, a densidade entre 720 e 785 kg/m³ e o teor de oxigênio dentro de uma faixa bem definida. Também existem limites para substâncias como benzeno, enxofre, chumbo e metais, além de regras sobre a destilação.

Essas exigências são importantes porque facilitam a aplicação dessa tecnologia fora das pistas. Com padrões semelhantes aos combustíveis atuais, as soluções desenvolvidas na F1 podem ser adaptadas com mais facilidade para veículos de uso comum.

Paralelamente, montadoras como Porsche e Renault já desenvolvem suas próprias versões de combustíveis sintéticos, mirando um futuro em que motores a combustão ainda existam, mas dividam espaço com a crescente eletrificação da frota.

*Com informações do g1

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Elisângela Pezzutti

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua na área jornalística há mais de 25 anos, com experiência em reportagem, assessoria de imprensa e edição de textos.