O preço da carne bovina tem aumentado significativamente para os consumidores.

E assim deve seguir nos próximos meses, conforme a previsão do setor de socioeconomia da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri) de Santa Catarina.

Pelo menos cinco indicadores são responsáveis por este quadro, e o principal deles está no salto das exportações do produto, sobretudo para o mercado chinês.

Estima-se que de janeiro a outubro deste ano, foram exportados 10% a mais de carne bovina com relação ao mesmo período de 2018.

Isto fez com que o preço do boi gordo dobrasse em vários Estados.

Em Santa Catarina, o preço do boi inteiro teve aumento médio de 3,5% na primeira quinzena do mês em relação ao mesmo período do ano passado, e com tendência de alta.

Demanda

O analista de socioeconomia da Epagri de Santa Catarina, Alexandre Giehl, explica que a crise no mercado suíno chinês aumentou a demanda de exportação e procura pela carne bovina.

Além do mais, o problema coincidiu com um período de entressafra do boi gordo no Brasil – motivado pela estiagem e redução da qualidade do pasto.

Somatória

“É a somatória de vários fenômenos. Dois são sazonais: estamos em período final de entressafra no Centro-Oeste, maior produtor de carne bovina do país. É um período de estiagem, os pastos perdem qualidade e não temos boi gordo. É comum que aconteça isso neste período. A outra questão sazonal é o pico de demanda. No final do ano sempre temos aumento por conta das festividades, a entrada de 13º salário e as pessoas consomem mais carne bovina”, explica.

O resumo da ópera é a baixa oferta de animais para abate – reflexo da estiagem - somada ao aumento recorde das exportações e a subida do dólar tornando o mercado internacional atrativo para os produtores.

"O produtor e o frigorífico têm liberdade para vender para quem quiser. Tem outro elemento que é o dólar em alta. Isso atrai os frigoríficos para exportação. Fica vantajoso, você vende a carne em um preço bom, recebe em dólar e gera muito mais reais. É um cenário favorável para o produtor e para a indústria, mas problemático para o mercado e para consumidor interno. Baixa oferta, o preço eleva e não consegue atender a demanda", pontua Alexandre Giehl, analista de socioeconomia da Epagri de Santa Catarina

Giehl também explica que outro movimento contribuiu para a redução da oferta de animais para abate.

Por conta do custo elevado da produção nos últimos anos, os produtores passaram a abater fêmeas para reduzir o impacto. E isso resultou no nascimento de menos bezerros.

"Há alguns anos os produtores têm abatidos mais fêmeas. Isso quer dizer que no ano seguinte serão menos animais para abate. Com o nascimento de menos bezerros, menos boi para abate”, argumenta.

Desde o ano passado

A crise na suinocultura chinesa acontece desde agosto do ano passado, com a proliferação da peste suína africana, e também atinge outros países do continente asiático.

Até então, a China era responsável por cerca de 50% da produção e consumo mundial de carne suína e estima-se que a crise tenha reduzido até 35% da produção chinesa.

“Por conta disso, a China tem exportado outras carnes para compensar a quebra. Em outubro, foi o maior volume já exportado de carne bovina em único mês na história do Brasil. E a tendência é que continue assim, reduzindo a oferta (no mercado interno) e pressionando os preços”, afirma.

Atenção ao preço do frango e porco

O aumento das exportações também poderá impactar na falta de alguns cortes em supermercados e atacadistas.

Giehl explica que está será a tendência neste fim de ano e o reflexo será a migração no consumo de carne de frango e de porco.

Impacto

Caso a previsão se confirme, também haverá impacto nos preços.

“Já temos relatos de supermercados e atacadistas preocupados com a falta de alguns cortes. As pessoas devem se preparar porque (o problema) vai existir por algum tempo. É possível que a migração (para outros tipos de carne) impacte o mercado. Na carne suína temos um cenário semelhante (à bovina), embora os preços ainda não tenham sido tão impactados”, explica o analista da Epagri.

Estima-se que entre janeiro e outubro o volume de exportação da carne suína aumentou em 12% com relação ao mesmo período do ano passado.

No entanto, os frigoríficos têm conseguido manter o padrão de abastecimento do mercado interno.

Entre as carnes mais vendidas no mundo, em primeiro lugar aparecem os pescados, seguido das carnes suínas, de frango e depois bovinas.

Fonte: Notisul