As vendas do comércio com presentes de Natal devem movimentar R$ 50 bilhões na economia brasileira este ano. A estimativa é da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), que divulgaram ontem (8) uma pesquisa inédita sobre as intenções de compras para o final de ano. A expectativa é de que 107,6 milhões de consumidores presenteiem alguém na data. Segundo a pesquisa, 72,2% dos brasileiros pretendem comprar algum presente este ano, enquanto 20,4% ainda não se decidiram – o que equivale a 30,4 milhões de potenciais compradores. Por outro lado, o gasto médio por presente deve ser menor: o brasileiro vai desembolsar R$ 109,81 com cada presente, uma queda real de 5,34% na comparação com o ano passado, se levada em conta a inflação acumulada do período. Em 2014, o gasto médio foi de R$ 125,22 e, em 2015, de R$ 106,94. Além disso, quatro em cada dez brasileiros (40,3%) pretendem gastar menos com presentes. A principal justificativa é a necessidade de economizar: 25,4% das pessoas ouvidas pela pesquisa pretendem adotar esta postura. A jaraguaense Daiane de Oliveira é uma delas. Há pouco tempo no emprego novo, a assistente administrativa de 24 anos prefere segurar os gastos para começar o ano com o pé direito. “Se for presentear alguém, será no máximo minha sobrinha de oito anos, por que as crianças esperam mais”, afirma a jovem. “Quero começar o ano de forma mais tranquila, sem dívidas”, destaca. Este ano, 12,5% das pessoas pretendem comprar apenas um presente, enquanto 28,7% planejam ser mais contidos na hora de encher o carrinho de compras. compras natal Para quem não abre mão dos presentes, ofertas são um atrativo Mesmo segurando os gastos, brasileiro ainda deve direcionar um montante total de R$ 465,59 para os presentes este ano, tendo em vista que cada consumidor comprará, em média, quatro presentes. Segundo a pesquisa, dentre os consumidores que não abrem mão de presentear, o hábito é a principal justificativa para 53,3% e considerar o gesto importante é o motivo de 35,6% dos entrevistados. O aposentado Adolfo Smekatz, de 63 anos, é do tipo de pessoa que não mede esforços para presentear a família. Mesmo com a economia instável, o jaraguaense se planejou para manter o orçamento em dia e garantir um Natal recheado. “Sempre compro presente para a esposa, os filhos, os netos, preciso dar alguma coisa. Prefiro escolher algo que eu sei que eles vão gostar, mesmo que para isso tenha que gastar um pouco mais”, comenta, sorrindo. Ainda assim, Adolfo espera encontrar ofertas atrativas no comércio – para ele, as promoções serão fator decisivo para os consumidores. E ele está certo: segundo a pesquisa do SPC, subiu de 4,8% para 16,7% o número de pessoas que pretendem dar mais atenção aos descontos. Além disso, mais da metade dos entrevistados (51,6%) escolhe a loja de acordo com o preço dos presentes e 42,7% decidem o local se houver alguma promoção interessante. Comerciantes apostam em preços atrativos e lembranças A gerente de uma loja de presentes do calçadão da Marechal Deodoro da Fonseca, Jéssica Mueller, percebeu esta mudança de comportamento e tem apostado em ofertas para atrair o consumidor. “No último sábado encerramos uma promoção de compre um leve dois, que foi um sucesso muito grande. Agora estamos repetindo a ação com outro produto. O preço bom também é crucial: as pessoas estão procurando muito lembracinhas de até R$ 50”, avalia. Nos meses de setembro e outubro, a loja viu o movimento cair quase 10% em comparação com o ano passado, o que preocupou. Entretanto, com as ações os resultados voltaram a superar as expectativas. “As últimas duas semanas de dezembro são as mais importantes. Estamos investindo em kits com valores muito atrativos. A expectativa é boa”, diz Jéssica. Já em uma loja de produtos variados do calçadão, a aposta são os itens para decoração e os utensílios para o lar. Segundo a gerente, Talita Ferreira dos Santos, o consumidor tem buscado itens úteis. “Este ano também adotamos o vale-presente, muito pedido pelos clientes”, afirma. Para a loja, a época representa um incremento de até 40% das vendas. “No último sábado legal deu pra sentir bem o aumento da procura por itens para o Natal, depois do 13º (salário) deve crescer ainda mais”, diz, confiante.