O secretário especial de Desestatização, Salim Matar, e o secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel, pediram demissão nesta terça-feira (11).

A informação havia sido confirmada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, na noite de terça-feira

Segundo Guedes, o motivo da demissão seria a insatisfação de Mattar com o ritmo das privatizações de estatais. “O que ele me disse é que é difícil privatizar”, disse.

No caso de Uebel, o ministro disse que o secretário deixou o cargo pela falta de andamento da reforma administrativa.

“Hoje houve uma debandada”, afirmou Guedes. “O que ele [Mattar] me disse é que é muito difícil privatizar, que o establishment não deixa haver a privatização, que é muito difícil, muito emperrado, que tem que ter apoio mais definido, mas decisivo. O secretário Uebel, a mesma coisa. A reforma administrativa está parada, então ele reclama também que a reforma administrativa parou”, disse Guedes.

As declarações do ministro expõe a lentidão da pasta em alcançar os resultados buscados pelo economista. Em 20 meses de governo, a gestão de Guedes ainda não obteve conquistas significativas.

As privatizações até então se resumiram a distribuidoras locais da Eletrobras e da Petrobras e pequenos órgãos locais.

As reformas ainda se limitam a propostas que já vinham de gestões anteriores, reformuladas, como a reforma trabalhista e a da Previdência, enquanto a economia como um tudo passa por uma crise histórica, agravada - mas não provocada - pela pandemia do Coronavírus

Mattar afirmou que sua meta era manter apenas três empresas sob o poder do estado: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Petrobras, atendendo um pedido do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), segundo entrevista concedida na manhã de quarta-feira (12) à rádio Bandeirantes.

O pedido seria parte do motivo da insatisfação do secretário, que afirmou que, se dependesse da sua vontade, "privatizaria todas as estatais'.

Salim Mattar afirmou que sua decisão deve servir como um alerta para o governo. "Minha saída fica para o governo um sinal. Se tem alguém no Brasil com mais vontade de privatizar que eu, não existe", disse.

O ministro da Economia também disse que gostaria de privatizar quatro grandes empresas e citou a Eletrobras, PPSA [estatal de partilha do Pré-Sal], Correios e a Docas de Santos. “Eu, se pudesse, privatizava todas as estatais. Para privatizar todas, você tem que privatizar duas ou três, nós não conseguimos nem duas ou três. Isso é preocupante”, disse.

As declarações do ministro foram feitas durante entrevista coletiva após uma reunião com presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Guedes reafirmou que não apoia uma eventual tentativa de furar o teto de gastos do governo.

“Não haverá nenhum apoio do Ministério da Economia a fura-tetos. Se tiver ministro fura-teto, eu vou brigar com ministro fura-teto”, disse.

 

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