Infraestrutura e o combate à burocracia são as demandas do setor empresarial de Jaraguá do Sul e região para o fortalecimento da economia local. Aproveitando a celebração do Dia da Indústria amanhã (25) – em homenagem ao patrono da indústria nacional, Roberto Simonsen, que faleceu em 25 de maio de 1948 – levantamos com entidades as prioridades para o setor e o que percebem como os maiores desafios para a indústria.

Segundo o vice-presidente da Fiesc para o Vale do Itapocu, Célio Bayer, os maiores desafios para o crescimento da indústria passam por esses dois fatores. "A burocracia aumenta os custos e demanda um investimento de tempo e pessoal para algo que não agrega valor", explica.

Segundo ele, a infraestrutura precária - o Brasil investe anualmente 2% de seu PIB em infraestrutura, mas estudos sugerem que apenas para manter o quadro atual seriam necessários 2,5% - gera um ônus considerável para a indústria devido aos custos de transporte e os atrasos.

Aproveitando o gancho da data, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) organizou uma série de ações por todo o Estado, como parte da Semana da Indústria - em Jaraguá do Sul, o foco foi uma série de palestras nesta terça-feira.

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Bayer frisa que é essencial criar meios para a sustentabilidade e inovação das empresas, de forma a gerar empregos sólidos e que façam circular a renda e a economia do país. "Tivemos a casa cheia durante o evento no período da tarde, quando o foco foi justamente qualidade de vida do colaborador e o impacto do e-social", comenta.

Durante a noite, o evento promovido pela Fiesc discutiu a indústria 4.0, outro setor que precisa de avanços. "Temos que entender que essa revolução não é o futuro, ela  já é o presente", diz.

Para o presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs), Anselmo Ramos, a melhoria dos indicadores de produtividade e o aumento da competitividade da indústria brasileira frente aos concorrentes internacionais passa por ajustes nos planos nacional e local.

“Por um lado, temos uma legislação federal que impõe à indústria uma elevada carga fiscal carregada de tributos e taxas, financiamentos escassos e juros altos inibidores para muitos setores produtivos, ao mesmo tempo em que convivemos com a falta de infraestrutura para escoar a produção, com limitações ambientais e excesso de burocracia”, diz o empresário.

Na região, por exemplo, a duplicação da BR-280 que se arrasta há cinco anos é um dos entraves. Vencer estes desafios, avalia, depende de uma revisão no volume de impostos e de políticas públicas que estimulem a produção, principalmente com foco na inovação.

O presidente da Associação Empresarial de Schroeder (Acias), Cláudio Adão da Cruz, e o diretor da Indústria da entidade, Márcio Buzzi, por sua vez escalaram três medidas sobre o que a Industria precisa para crescer na região, no sentido de que eixos a entidade tem atuado. A entidade mantém um projeto em conjunto com a Celesc, quanto a qualidade da rede de energia elétrica, tem cooperado com a Prefeitura para a implementação e desenvolvimento da zona industrial e contado com parceria com o Senai para a capacitação de pessoal.

“As indústrias de Schroeder e região clamam pela mobilidade urbana. A continuidade da obra de duplicação da BR 280 é de suma importância para o desenvolvimento das industrias e negócios das nossas cidades”, reforça Cruz.

Em debate

"A burocracia aumenta os custos e demanda um investimento de tempo e pessoal para algo que não agrega valor", Célio Bayer, vice-presidente da Fiesc para o Vale do Itapocu.

“Por um lado, temos uma legislação federal que impõe à indústria uma elevada carga fiscal carregada de tributos e taxas, financiamentos escassos e juros altos inibidores para muitos setores produtivos”. Anselmo Ramos, presidente da Acijs.

“As indústrias de Schroeder e região clamam pela mobilidade urbana. A continuidade da obra de duplicação da BR 280 é de suma importância para o desenvolvimento das industrias e negócios das nossas cidades”. Cláudio Adão da Cruz, presidente da Acias.

Ações terão continuidade

As ações da Fiesc terão continuidade na próxima semana: na segunda-feira (28), durante a plenária da Acijs e Apevi ocorre o lançamento da segunda etapa do programa Indústria Solar, iniciativa da Fiesc com execução da Engie e WEG para o incentivo à instalação de painéis fotovoltaicos para geração de energia alternativa à micro e pequenas empresas no Estado.

A reunião será realizada às 18 horas, no Centro Empresarial de Jaraguá do Sul, e vai contar com a presença de especialistas que orientarão as empresas como o programa é operacionalizado pela Celesc e sobre como utilizar linhas de financiamentos de instituições como Cecred, BRDE e Badesc.