O Ministério da Economia divulgou nesta quarta-feira (26) os dados de criação de vagas com carteira de trabalho assinada para o mês de abril. Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), foram abertas 120,9 mil vagas formais naquele mês - as informações são da BBC.

O saldo mensal foi o menor do ano de 2021, após a abertura de 261 mil vagas em janeiro, 398 mil em fevereiro e 177 mil em março, em um mês que foi marcado por uma piora significativa da pandemia no país, com o endurecimento das medidas de distanciamento social em diversos Estados e municípios.

Também representa um resultado significativamente melhor do que aquele registrado em abril de 2020, quando quase 964 mil vagas foram fechadas num único mês, sob o impacto da primeira onda do coronavírus no Brasil.

No entanto, segundo a emissora britânica, o Caged tem sofrido uma série de críticas de analistas do mercado de trabalho, desde que sofreu uma mudança de metodologia no ano passado que tem dificultado a interpretação dos dados de emprego, o que é agravado pela situação sem precedentes da pandemia. No início de 2020, o Caged deixou de ser divulgado durante quatro meses, entre fevereiro e maio daquele ano.

Esse hiato, bem no início dos efeitos da pandemia no Brasil, aconteceu devido a uma mudança na metodologia de coleta dos dados. Antes, a prestação de contas pelas empresas ao Ministério da Economia era feita por um sistema próprio do Caged. Com a mudança, ela passou a ser feita através do eSocial (Sistema de Escrituração Fiscal Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas).

Após a alteração, o Ministério da Economia identificou um problema de subnotificação dos desligamentos, o que poderia inflar artificialmente o saldo de empregos — que é calculado pela diferença entre o número de admitidos e desligados a cada mês.

A pasta diz que o problema foi solucionado com uso de dados do sistema Empregador WEB, utilizado para solicitação de seguro-desemprego de trabalhadores demitidos.

A nova metodologia, no entanto, também mudou o universo de trabalhadores abrangido pelo Caged. No Novo Caged, os trabalhadores temporários agora são de preenchimento obrigatório pelas empresas e não mais opcional, como ocorria até dezembro de 2019.

Além disso, segundo nota técnica publicada pelo Ministério da Economia, categorias que antes não eram consideradas como emprego formal passaram a entrar na conta, como os bolsistas.