A Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs) elegeu na segunda-feira (21) Ana Clara Franzner Chiodini como nova presidente da entidade para o período 2022-2023.

Aos 29 anos, ela é a mais jovem liderança empresarial a assumir a presidência da entidade, em um momento marcado pelos reflexos de dois anos desafiadores de enfrentamento da pandemia e pela transição para um mundo cada vez mais conectado e digitalizado.

É também a terceira mulher a assumir o cargo nos quase 84 anos da entidade.

O OCP conversou com Ana Clara esta semana, para saber como a empresária avalia o momento, as metas de sua gestão e os desafios à sua frente. Confira:

A sua gestão começa em um momento muito particular, saindo de dois anos de enfrentamento da pandemia. Quais são os principais desafios que você enxerga para Jaraguá do Sul neste momento?

É um momento desafiador, de reinvenção e resiliência, depois de um período que trouxe dificuldades à toda a sociedade e às empresas de modo geral, por conta de uma situação de saúde e seus reflexos em todas as áreas.

A realidade é cada vez mais dinâmica, o que exige de todos uma grande capacidade de adaptação, principalmente se considerarmos que a pandemia acelerou uma convergência tecnológica para a qual nem todos os segmentos estavam ainda preparados.

O desafio é entender cada vez mais essa interação de pessoas e tecnologias tanto no ambiente empresarial como no dia a dia, porque essa conexão vai ser ainda mais intensa com o avanço da comunicação.

Quais devem ser as metas da Acijs neste momento? Do que o empresariado de Jaraguá precisa em 2022?

A gestão atual e as anteriores já vinham sendo pautadas na missão da Acijs de fortalecer cada vez mais o papel da entidade e sua relevância para o associativismo empresarial, representando o setor produtivo, mas também no engajamento com a comunidade, no relacionamento com a sociedade.

Na retomada da economia, a Acijs continuará apoiando as demandas das empresas, dando continuidade a um trabalho que já vinha sendo feito e nas últimas gestões intensificadas, de oferecer aos associados sempre soluções inovadoras e novos serviços, com foco na melhoria da gestão e cada vez mais conectada a essa nova realidade apoiada na tecnologia.

O desenvolvimento de ferramentas como as plataformas Jaraguá para Negócios, em parceria com a CDL, e o Acijs In Rede, que possibilita a empreendedores uma capacitação qualificada por meio de diagnóstico, mentoria e curadoria são exemplos de uma conexão que deverá ser muito mais intensa para ajudar as empresas a se prepararem para a retomada plena da economia.

Na sua opinião o ataque da Rússia contra a Ucrânia, esta semana, traz reflexos para Jaraguá do Sul?

Precisamos ver agora os efeitos desta questão na Ucrânia. Temos que ver como vai ser a resposta da União Europeia e da comunidade internacional. Isso vai afetar qualquer importador ou exportador na região, e aqui nós temos tanto empresas que exportam quanto importam daquela região. O que vai determinar é como os países vão se comportar, como o câmbio vai reagir, tivemos quedas expressivas que podem ser revertidas agora. Já vemos um posicionamento forte do governo dos EUA quanto à sanções, mas não sabemos se vai além disso.

Estamos em um ano eleitoral, e por conta disso novas gestões públicas se aproximam, em seu ver, quais devem ser as prioridades da Acijs para os próximos governos?

Há demandas que a Acijs acompanha e busca soluções, elas são permanentes e com certeza vão continuar no radar da entidade, então esse relacionamento com o poder público e com outras entidades da sociedade será ainda mais fortalecido. Existe um alinhamento com o poder público que será aprimorado, em pautas permanentes como a BR-280, por exemplo.

Há outras áreas que necessitam também de atenção, como a Educação, que cada vez precisa ser mais qualificada, principalmente se observarmos que a pandemia trouxe queda nos indicadores e essa situação preocupa diante de um cenário que vai impor desafios para todos.

A macroeconomia é outra questão que merece um olhar no sentido de buscar formas para enfrentarmos a taxa de desemprego que ainda é alta, a perda de renda da população e a volta da inflação. É um tema que reflete um quadro nacional, mas que continuará tendo o olhar da entidade no seu papel de representar os interesses da classe empresarial.

Sua eleição para a presidência da Acijs traz duas particularidades, a presidente mais jovem e a terceira mulher a assumir o cargo, em que isso pode contribuir para seu trabalho dentro da entidade?

É uma quebra de paradigmas, sem dúvida, que demonstra que a entidade vem reforçando ainda mais o compromisso de se posicionar à frente no debate de temas como a inclusão cada vez mais de mulheres e de jovens na sociedade, mas de modo especial falando do associativismo empresarial.

Esse movimento de renovação, que na Acijs nem é tão recente, tem o significado de incentivar governos, nas funções públicas, e mesmo outras entidades de classe a buscarem essa condição de abrir mais espaço às mulheres e aos jovens na sua representação.

A CDL é outro bom exemplo que demonstra a importância desse movimento ser contínuo. A atual gestão com o presidente Luis Leigue, já havia avançado com 33% das vice-presidências sendo ocupada por mulheres, na nossa diretoria esse percentual é de 50%, são 5 mulheres e 5 homens que vão trabalhar juntos nesta nova missão, o que fortalece ainda mais a defesa da entidade por mais diversidade.